Nesse aspecto, a China construiu uma vantagem estrutural

Nesse aspecto, a China construiu uma vantagem estrutural – Foto: Canva
A discussão sobre terras raras ganha relevância crescente no cenário econômico global por envolver insumos estratégicos para tecnologia, transição energética e defesa, além de intensificar disputas geopolíticas. Análise de Gilberto Silva, MSc., mestre em Geociências pela Unicamp, mostra que as maiores reservas globais desses metais estão concentradas em poucos países, com ampla liderança da China, seguida por Brasil, Índia e Austrália, dentro de um volume estimado entre 130 e 160 milhões de toneladas.
Os dados indicam que a presença de reservas não garante, por si só, poder econômico ou influência estratégica. O fator determinante está na capacidade de processamento, separação, refino e integração industrial, etapas que definem quem transforma o minério em produtos de alto valor agregado. Nesse aspecto, a China construiu uma vantagem estrutural ao controlar praticamente toda a cadeia produtiva das terras raras, utilizando esse domínio como instrumento de política econômica e geopolítica.
Em contraste, Estados Unidos e outros países ocidentais enfrentam limitações relevantes. Mesmo dispondo de reservas próprias, permanecem dependentes da Ásia para o processamento, o que amplia riscos para suas cadeias industriais e tecnológicas. A escassez, portanto, não está no volume disponível de minério, mas na falta de capacidade industrial viável, eficiente e alinhada a critérios ambientais.
Brasil e Índia aparecem como polos de potencial estratégico. Com grandes recursos geológicos e cadeias produtivas ainda pouco desenvolvidas, os dois países ganham importância no tabuleiro global, atraindo interesse por investimentos diretos e parcerias de longo prazo. Nesse contexto, a disputa pelas terras raras se mostra menos associada à posse dos recursos e mais ao controle do ecossistema industrial que permite transformar essas reservas em poder econômico.

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