O presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, passou a madrugada deste domingo (04) sob custódia das autoridades federais dos Estados Unidos, em Nova York, após ter sido capturado em uma operação militar em Caracas. Ele está detido no Centro de Detenção Metropolitano (MDC), no Brooklyn, uma penitenciária federal de segurança considerada uma das mais problemáticas do sistema prisional norte-americano.
De acordo com informações divulgadas por autoridades judiciais dos EUA, Maduro permanecerá preso enquanto aguarda julgamento por acusações de narcoterrorismo e tráfico internacional de drogas. A denúncia apresentada na Justiça federal prevê penas severas, que variam de ao menos duas décadas de reclusão até prisão perpétua, dependendo do desdobramento do processo.

A captura ocorreu no sábado (03), quando forças militares norte-americanas realizaram ataques simultâneos em diferentes pontos do território venezuelano e localizaram o chefe de Estado em Caracas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assumiu publicamente a responsabilidade pela ação e confirmou que Maduro e sua esposa, Cília Flores, foram detidos durante a operação.
Segundo o governo norte-americano, Maduro é apontado como líder do chamado “Cartel de los Soles”, organização que Washington passou a classificar recentemente como grupo terrorista internacional ligado ao narcotráfico. Essa classificação embasou juridicamente a operação e fundamenta as acusações apresentadas na Justiça de Nova York.
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Após ser transferido para os Estados Unidos, o ex-presidente venezuelano foi encaminhado à única penitenciária federal disponível na cidade, o MDC do Brooklyn, uma unidade construída nos anos 1990 e frequentemente alvo de críticas por suas condições internas, superlotação e episódios de violência. O local abriga mais de 1,3 mil detentos e já recebeu presos de alta notoriedade internacional.
Enquanto isso, Trump afirmou que seu governo mantém interlocução com a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, que passou a ser tratada pelos Estados Unidos como presidente interina. Segundo ele, o secretário de Estado, Marco Rubio, conversou com a dirigente nas horas seguintes à captura. Em declarações públicas, Trump disse que Rodríguez estaria disposta a cooperar com o processo de reorganização política do país, embora tenha afirmado também que ela “não tem escolha”, frase que gerou reação e críticas em meios diplomáticos.
O custo humano da operação começou a vir à tona neste domingo. Segundo informações divulgadas pelo jornal The New York Times, com base em fontes do próprio governo venezuelano, ao menos 40 pessoas morreram durante os confrontos ocorridos na madrugada de sábado. Entre as vítimas estariam civis e militares, o que reforça a dimensão e a gravidade da ação.
A ofensiva norte-americana representa uma mudança sem precedentes no tratamento da crise venezuelana e abre uma nova fase de instabilidade política, jurídica e diplomática na América do Sul. Com uma extensa fronteira com o Brasil e impacto direto sobre fluxos migratórios, segurança regional e relações internacionais, os desdobramentos do caso são acompanhados com cautela por governos e organismos multilaterais.