A deputada federal Gisela Simona (União Brasil) afirmou já ter sido vítima de racismo em diferentes momentos da vida pública e disse que a discriminação ainda é recorrente nos espaços de poder no Brasil. O relato foi feito durante entrevista ao podcast Política de Primeira, ao comentar as dificuldades enfrentadas por pessoas negras na política e em cargos de decisão.
Segundo a parlamentar, o preconceito se manifesta de forma velada, mas constante, especialmente quando pessoas negras ocupam posições tradicionalmente associadas à elite branca. “As pessoas não gostam de ver negros nesses espaços, ou não se acostumaram a isso”, afirmou.

Gisela relatou que situações de discriminação ocorreram desde antes do mandato parlamentar, quando atuava como diretora do Procon em Mato Grosso. Em reuniões com empresários e representantes de grandes empresas, disse que frequentemente era confundida com uma assessora ou secretária. “Muitas vezes eu estava na sala e as pessoas ainda estavam esperando chegar o diretor do Procon, porque não imaginavam que fosse uma mulher negra ocupando aquele cargo”, relatou.
Racismo estrutural e sub-representação
Durante a entrevista, a deputada também chamou atenção para a baixa representatividade de pessoas negras no Congresso Nacional. Dados da Justiça Eleitoral indicam que apenas cerca de 20% dos deputados federais se declaram negros ou pardos, número considerado baixo diante do fato de que mais da metade da população brasileira é composta por pessoas negras.
Ao comentar esse cenário, Gisela afirmou que o racismo estrutural ainda impõe barreiras à ascensão política da população negra. “Existe uma resistência da sociedade brasileira em aceitar que pessoas negras cheguem a lugares de decisão”, disse.
Assista abaixo a entrevista completa:
Bancada negra e fundo de reparação
A parlamentar destacou que, diante desse contexto, ajudou a fundar a bancada negra da Câmara dos Deputados, com o objetivo de dar visibilidade a pautas historicamente negligenciadas. Segundo ela, a iniciativa permitiu levar temas ligados à igualdade racial ao Colégio de Líderes e à agenda prioritária do Parlamento.
Entre os avanços citados, Gisela lembrou a relatoria da Proposta de Emenda à Constituição que cria um fundo nacional de reparação à população negra, com previsão de R$ 20 bilhões ao longo de 20 anos. A proposta prevê incentivos econômicos, crédito facilitado e políticas públicas voltadas à redução das desigualdades raciais.
“Não queremos a população negra apenas como maioria nas estatísticas de violência ou nas filas do SUS. Queremos negros ocupando espaços de destaque, como empreendedores, parlamentares e líderes”, afirmou a deputada.
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