‘As pessoas não gostam de ver negros em espaços de poder’, diz deputada de MT

A deputada federal Gisela Simona (União Brasil) afirmou já ter sido vítima de racismo em diferentes momentos da vida pública e disse que a discriminação ainda é recorrente nos espaços de poder no Brasil. O relato foi feito durante entrevista ao podcast Política de Primeira, ao comentar as dificuldades enfrentadas por pessoas negras na política e em cargos de decisão.

Segundo a parlamentar, o preconceito se manifesta de forma velada, mas constante, especialmente quando pessoas negras ocupam posições tradicionalmente associadas à elite branca. “As pessoas não gostam de ver negros nesses espaços, ou não se acostumaram a isso”, afirmou.

Gisela Simona
Gisela Simona comandou o Procon-MT e hoje ocupa cadeira de deputada federal – Foto: Nathania Ortega/Primeira Página

Gisela relatou que situações de discriminação ocorreram desde antes do mandato parlamentar, quando atuava como diretora do Procon em Mato Grosso. Em reuniões com empresários e representantes de grandes empresas, disse que frequentemente era confundida com uma assessora ou secretária. “Muitas vezes eu estava na sala e as pessoas ainda estavam esperando chegar o diretor do Procon, porque não imaginavam que fosse uma mulher negra ocupando aquele cargo”, relatou.

Racismo estrutural e sub-representação

Durante a entrevista, a deputada também chamou atenção para a baixa representatividade de pessoas negras no Congresso Nacional. Dados da Justiça Eleitoral indicam que apenas cerca de 20% dos deputados federais se declaram negros ou pardos, número considerado baixo diante do fato de que mais da metade da população brasileira é composta por pessoas negras.

Ao comentar esse cenário, Gisela afirmou que o racismo estrutural ainda impõe barreiras à ascensão política da população negra. “Existe uma resistência da sociedade brasileira em aceitar que pessoas negras cheguem a lugares de decisão”, disse.

Assista abaixo a entrevista completa:

Bancada negra e fundo de reparação

A parlamentar destacou que, diante desse contexto, ajudou a fundar a bancada negra da Câmara dos Deputados, com o objetivo de dar visibilidade a pautas historicamente negligenciadas. Segundo ela, a iniciativa permitiu levar temas ligados à igualdade racial ao Colégio de Líderes e à agenda prioritária do Parlamento.

Entre os avanços citados, Gisela lembrou a relatoria da Proposta de Emenda à Constituição que cria um fundo nacional de reparação à população negra, com previsão de R$ 20 bilhões ao longo de 20 anos. A proposta prevê incentivos econômicos, crédito facilitado e políticas públicas voltadas à redução das desigualdades raciais.

“Não queremos a população negra apenas como maioria nas estatísticas de violência ou nas filas do SUS. Queremos negros ocupando espaços de destaque, como empreendedores, parlamentares e líderes”, afirmou a deputada.

Leia mais

  1. Gisela Simona debate deep nude, racismo, eleições e fundo de reparação

  2. Advogada Gisela Cardoso é reeleita presidente da OAB-MT com mais de 4,8 mil votos

  3. Com Fábio Garcia na Casa Civil, Gisela Simona deve assumir vaga na Câmara Federal

  4. Enamed: faculdades privadas de MT têm notas baixas; curso em Cáceres entra em supervisão

  5. Facção que movimentou R$ 10 milhões em tráfico de drogas é alvo de operação em MT

  6. Confusão no fórum leva a anulação de julgamento de investigador em Cuiabá

  7. Fábio Garcia deixa Casa Civil para votar a favor da anistia na Câmara dos Deputados

  8. Emanuelzinho e Juarez votam contra a PEC da Blindagem

  9. Seis dos oito deputados de MT votam a favor da PEC da Blindagem na Câmara

FALE COM O PP

Para falar com a redação do Primeira Página em Mato Grosso, clique aqui. Curta o nosso Facebook e siga a gente no Instagram.

Fonte


Publicado

em

por

Tags: