O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou cerca de 50 países para integrar um recém-criado Conselho de Paz, concebido inicialmente para acompanhar o cessar-fogo na Faixa de Gaza. A iniciativa, no entanto, já nasce com ambições mais amplas: segundo o próprio Trump, o grupo pode futuramente se debruçar sobre outros conflitos internacionais.
Entre os convidados está o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. Embora o mandatário norte-americano tenha declarado que gostaria de ver Lula exercendo um “papel relevante” no conselho, o governo brasileiro ainda avalia o convite com cautela. Fontes do Palácio do Planalto indicam resistência à proposta, sobretudo pela concentração de poder decisório nas mãos dos Estados Unidos, conforme o desenho atual do grupo.

Adesões confirmadas
Cerca de 35 líderes já sinalizaram adesão. Embora Washington não tenha detalhado oficialmente todos os nomes, entre os países que confirmaram participação estão: Arábia Saudita, Argentina, Armênia, Azerbaijão, Bahrein, Belarus, Catar, Cazaquistão, Egito, Emirados Árabes Unidos, Hungria, Indonésia, Israel, Jordânia, Kosovo, Kuwait, Marrocos, Paraguai, Paquistão, Turquia, Uzbequistão e Vietnã.
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Convites em análise
Outros atores relevantes ainda não bateram o martelo. O Canadá informou ter concordado “em princípio”, mas pediu tempo para definir os termos. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que precisa avaliar se a iniciativa é compatível com a Constituição do país.
Também permanecem sem resposta formal Rússia, China, Polônia, Índia, Austrália e Irlanda. Trump chegou a afirmar que o presidente russo Vladimir Putin teria aceitado o convite, mas o Kremlin reagiu dizendo que a proposta ainda está em análise.
Entre aliados tradicionais de Washington, Reino Unido, Alemanha e Japão evitam posicionamento público definitivo. No caso alemão, um porta-voz confirmou que o chanceler Friedrich Merz não participará da cerimônia de assinatura prevista durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos.
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A Ucrânia informou que analisa o convite por vias diplomáticas, mas o presidente Volodymyr Zelensky disse ter dificuldade em integrar qualquer instância que inclua Moscou após anos de guerra. Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também foi convidada, mas ainda não respondeu oficialmente.
O Vaticano confirmou que o papa Leão XIV recebeu o convite. Segundo o cardeal Pietro Parolin, será necessário um período de reflexão antes de qualquer decisão.
Recusas e tensão diplomática
Nem todos, porém, aceitaram a proposta. Noruega, Suécia e Eslovênia recusaram formalmente o convite. A França também sinalizou que ficará de fora. A reação de Trump foi imediata: o presidente norte-americano ameaçou impor tarifas de até 200% sobre vinhos e champanhes franceses, elevando a temperatura da disputa.