O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou na quinta-feira (5) um vídeo nas redes sociais que retrata o ex-presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama como macacos. A publicação gerou forte reação de líderes democratas e aliados do ex-presidente, que classificaram o conteúdo como racista e ofensivo.
Apesar da controvérsia, o vídeo recebeu milhares de curtidas nas primeiras horas de sexta-feira (6) na rede social do presidente. Barack Obama é o único presidente negro da história dos Estados Unidos e apoiou Kamala Harris, rival de Trump, na disputa eleitoral de 2024.
O vídeo, com cerca de um minuto, foi divulgado na plataforma Truth Social e mistura uma teoria da conspiração sobre as eleições americanas com imagens em tom de meme. Ao final, os rostos de Barack e Michelle Obama aparecem sobrepostos aos corpos de macacos, por cerca de um segundo, enquanto a música “The Lion Sleeps Tonight” toca ao fundo. Os Obamas não têm qualquer relação com a suposta “denúncia” apresentada no material.
A gravação também repete alegações falsas de que a empresa de apuração de votos Dominion Voting Systems teria ajudado a “roubar” a eleição presidencial de 2020 de Trump — acusações que já foram desmentidas em diversas ocasiões.
Em resposta às críticas, a Casa Branca rejeitou o que chamou de “indignação falsa”. Em comunicado enviado à agência AFP, a secretária de Imprensa, Karoline Leavitt, afirmou que se trata de “um vídeo de meme da internet que mostra o presidente Trump como o Rei da Selva e os democratas como personagens de O Rei Leão” e pediu que a imprensa “noticie algo que realmente importe para o público americano”.
A reação negativa, no entanto, se espalhou entre democratas. O gabinete do governador da Califórnia, Gavin Newsom — potencial candidato do partido à Presidência em 2028 e crítico frequente de Trump — condenou a publicação. “Comportamento repugnante do Presidente. Todo republicano deve denunciar isto. Agora”, escreveu a equipe de imprensa de Newsom na rede social X.
Ben Rhodes, ex-conselheiro de Segurança Nacional e aliado próximo de Barack Obama, também se manifestou. “Deixem que Trump e seus seguidores racistas sejam assombrados porque os americanos do futuro verão os Obamas como figuras queridas, enquanto o estudam como uma mancha em nossa história”, publicou.
