Boulos fala de Lula, Trump, Pablo Marçal, Simone Tebet e Eleições 2026 – Política de Primeira – Entrevista completa

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, deputado federal licenciado Guilherme Boulos (PSOL-SP), é o convidado deste episódio do podcast Política de Primeira, conduzido pelos jornalistas Fabiano Arruda e Henrique Shuto. (assista ao episódio completo no Youtube acima ou clique no link abaixo para ver ou ouvir o podcast no Spotify)

Professor, escritor e psicanalista, Boulos discutiu os desafios do governo Lula, sua trajetória nos movimentos sociais e o cenário político para os próximos anos. Ele, que abriu mão de disputar a reeleição como deputado federal para focar no ministério e na coordenação da campanha de reeleição do presidente Lula (PT), defendeu que o governo do Brasil tem conseguido resultados superiores ao período anterior em áreas como saúde, educação e infraestrutura, apesar de enfrentar um Congresso Nacional que, segundo ele, tenta “sequestrar” o orçamento público.

Trajetória de Boulos e função social da propriedade

Boulos relembrou seus 20 anos de militância no movimento dos sem-teto e explicou que sua formação em filosofia e psiquiatria ajudou a lidar com o aspecto humano em situações de conflito, como despejos. Ele defendeu a legitimidade das ocupações como forma de denunciar o descumprimento do Estatuto da Cidade.

“O que o movimento social faz é o seguinte: nós temos um monte de terra e de prédio abandonado pelo Brasil. […] Esses imóveis, pela Constituição Brasileira, não cumprem a função social.”

O ministro criticou a falha do Estado brasileiro em oferecer políticas habitacionais históricas para quem migrou para as cidades, resultando na formação de favelas e ocupações irregulares.

Orçamento e relação com o Congresso

Boulos fez duras críticas ao controle que o Poder Legislativo exerce atualmente sobre os recursos da União, citando os R$ 61 bilhões destinados a emendas parlamentares este ano.

“Uma parte do Congresso resolveu sequestrar, tomar conta de uma fatia relevante do orçamento. […] Se você fatia o orçamento em vários pedacinhos com a cabeça de cada deputado, você perde um projeto de país.”

Boulos destacou que o presidente Lula barrou cortes na saúde e educação, optando por taxar o “andar de cima” (bilionários, bancos e apostas/bets) para equilibrar as contas.

Fake news e regulação das Big Techs

Vítima de informações falsas divulgadas por Pablo Marçal (PRTB) durante a disputa pela prefeitura de São Paulo em 2024, Boulos defendeu a urgência da regulamentação das redes sociais, afirmando que as plataformas lucram com a desinformação.

“As grandes plataformas ganham dinheiro com a desinformação. […] Elas estão pouco se ferrando se isso vai atrapalhar a democracia ou destruir reputações. Eles querem o dinheiro deles.”

Lula x Trump, soberania e política externa

O ministro elogiou a postura de Lula frente a líderes internacionais, como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, especialmente em relação à proteção das riquezas nacionais, como as terras raras (das quais o Brasil possui a segunda maior reserva mundial).

“O Lula chegou e falou: ‘Aqui não, Trump’. […] Teve firmeza porque teve orgulho e representou o Brasil. Não era um vira-lata, um vendido.”

Cenário eleitoral e futuro político

Questionado sobre as Eleições 2026, Boulos afirmou que o governo focará em comparar dados reais com o governo Bolsonaro, prevendo um embate contra o “bolsonarismo” marcado por notícias falsas.

Sobre a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, ele a classificou como um “quadro político de centro” fundamental para o projeto democrático, cuja posição nas próximas eleições (seja em São Paulo ou Mato Grosso do Sul) será definida pela estratégia de Lula.

Quanto a uma possível candidatura à Presidência da República em 2030, Boulos evitou projeções pessoais.

“Isso não é uma coisa que se escolha ou que se defina. […] A questão é o que te guia na política: se é uma ambição pessoal ou um projeto coletivo de levar adiante os valores que você acredita.”

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