Encerrada a eleição de 1994, Mato Grosso escolhia seu novo governador com uma votação histórica: 71,77% dos votos válidos. Dias depois da vitória, Dante de Oliveira concedeu a primeira entrevista como governador eleito, detalhando como faria a transição, como montaria o secretariado e afirmando que não “lotearia” o governo entre partidos.

Dias depois da consagração nas urnas, Dante participou do programa especial “E agora, governador?”, exibido pela TV Centro América. A entrevista foi conduzida pelo jornalista Elias Neto e contou também com a participação dos jornalistas Cláudia Bouviê, Luis Fernando e Rogério Andreatta, que integravam a equipe da emissora em Cuiabá, Rondonópolis e Sinop.
À época com 42 anos, engenheiro civil e natural de Cuiabá, Dante já tinha trajetória consolidada na política. Iniciou a carreira pública em 1978 como deputado estadual pelo MDB. Em 1982, foi eleito deputado federal pelo PMDB e ganhou projeção nacional ao apresentar a emenda das Diretas Já no Congresso, tornando-se um dos símbolos da redemocratização.
Foi prefeito de Cuiabá em 1985, assumiu o Ministério da Reforma e do Desenvolvimento Agrário em 1986 e voltou à prefeitura em 1992, pelo PDT. Em outubro de 1994, foi eleito governador de Mato Grosso.
Transição e montagem da equipe
Durante a entrevista, Dante afirmou que montaria ainda naquela semana a equipe de transição administrativa. O objetivo, segundo ele, era levantar dados oficiais de todas as áreas do governo para definir os programas iniciais da gestão.
Ele destacou que a equipe de transição não se confundiria com o futuro secretariado. A prioridade era compreender a situação administrativa do Estado antes de anunciar nomes.
O vídeo da entrevista registra o momento em que o governador eleito começava a desenhar os primeiros passos da nova gestão. Relembre:
“Não vou lotear o governo”
Eleito com apoio de dez partidos, Dante foi questionado sobre eventual divisão de secretarias entre as siglas da coligação. A resposta foi enfática: não haveria loteamento.
O governador eleito afirmou que os critérios para compor a equipe seriam honestidade, competência técnica e compromisso político com o programa de governo. Também deixou claro que poderia convidar profissionais que não integravam formalmente os partidos aliados, desde que tivessem afinidade com as diretrizes da gestão.
Questionado sobre a possibilidade de nomear deputados recém-eleitos para abrir espaço a suplentes, disse que ainda não havia decisão e que a definição dependeria do perfil dos parlamentares e das conversações políticas.
Dante de Oliveira, que morreu em 2006, marcou a história política do país ao ser o deputado federal proponente da Emenda Constitucional das “Diretas Já”, depois do Brasil passar duas décadas em abstinência eleitoral por imposição da Ditadura Militar.
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