Guerra entre EUA, Israel e Irã entra em nova fase após morte de líder e possível diálogo

A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã entrou em uma fase de escalada regional neste domingo (1º), com ataques simultâneos, ampliação do número de vítimas e sinais de possível abertura diplomática.

Prédio após um ataque com míssil em um bairro de Teerã (Foto: Amir Kholousi/AFP)
Prédio após um ataque com míssil em um bairro de Teerã (Foto: Amir Kholousi/AFP)

A ofensiva inicial, lançada no sábado (28) por forças americanas e israelenses contra alvos estratégicos iranianos, deixou ao menos 201 mortos e 747 feridos, segundo autoridades de Teerã.

Entre as vítimas está o líder supremo do país, Ali Khamenei, cuja morte já havia sido confirmada anteriormente pelo governo iraniano.

A televisão estatal iraniana afirmou, na tarde deste domingo (1º), ter sido alvo de bombardeios, após uma série de fortes explosões atingirem a capital, Teerã.

“A equipe técnica está avaliando os danos”, disse a emissora. Sua sede em Teerã já havia sido atacada por Israel, durante a guerra de 12 dias em junho.

Em resposta, a Islamic Revolutionary Guard Corps (IRGC) anunciou a execução da “sexta onda da Operação Verdadeira Promessa 4”, com ataques de mísseis e drones contra Israel e pelo menos 27 bases militares dos Estados Unidos no Oriente Médio.

Segundo os militares iranianos, os alvos incluíram o quartel-general do Exército israelense em Hakirya, em Tel Aviv, um complexo industrial de defesa na mesma cidade e uma base aérea na capital israelense.

“As Forças Armadas darão uma vingança diferente e decisiva”, afirmou a Guarda Revolucionária em comunicado.

O serviço de emergência israelense confirmou que ao menos seis pessoas morreram em um ataque de mísseis contra Beit Shemesh, cidade a oeste de Jerusalém. Posteriormente, autoridades atualizaram o número para nove morto.

A escalada ultrapassou as fronteiras dos dois países. O Irã afirmou ter atacado uma base americana em Erbil, no Iraque. Também houve registro de explosão em Riad, cuja origem ainda é investigada.

Nos Emirados Árabes Unidos, destroços de drones atingiram um mercado em Sharjah. Houve ainda relatos de ataques em Dubai e Doha, além de registros na capital do Bahrein, Manama.

O Ministério da Defesa do Catar informou ter interceptado cerca de 18 mísseis direcionados ao país.

Porta-aviões americano sob ataque

A Guarda Revolucionária declarou ainda ter lançado quatro mísseis contra o porta-aviões USS Abraham Lincoln, que opera próximo a Omã, no mar Arábico. Até o momento, as forças americanas não confirmaram danos à embarcação.

Outro grupo naval, liderado pelo USS Gerald R. Ford, permanece posicionado na costa mediterrânea de Israel.

O Comando Central das Forças Armadas dos EUA confirmou neste domingo (1º) as primeiras três mortes de militares americanos no conflito, além de cinco feridos, no âmbito da operação denominada “Fúria Épica”.

Israel amplia mobilização

O Exército israelense anunciou a mobilização de cerca de 100 mil reservistas e afirmou que a maioria dos sistemas de defesa aérea no oeste e centro do Irã foi desmantelada.

Autoridades israelenses declararam que a Força Aérea realizou bombardeios para abrir “o caminho para Teerã”, enquanto novas ondas de ataques atingiam o centro da capital iraniana.

Trump ameaça e fala em possível conversa

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na rede social Truth que, caso haja nova retaliação iraniana, o país responderá com “uma força nunca antes vista”.

Em entrevistas à revista The Atlantic, à Fox News e à CNBC, Trump declarou que 48 líderes iranianos foram mortos nos ataques conjuntos e afirmou que os novos dirigentes de Teerã demonstraram interesse em diálogo.

“Eles querem conversar, então eu concordei e vou falar com eles. Deveriam ter feito isso antes”, afirmou.

Irã sinaliza abertura à desescalada

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, declarou que o país está aberto a “quaisquer esforços sérios de desescalada”, segundo comunicado divulgado pelo governo de Omã após conversa com o chanceler omanita, Badr Albusaidi.

Omã tem atuado historicamente como mediador nas negociações nucleares entre Washington e Teerã.

Clima de tensão e incerteza

Milhares de iranianos foram às ruas para protestar contra a morte de Khamenei e demonstrar apoio à República Islâmica. Ao mesmo tempo, governos da região reforçam sistemas de defesa e acompanham o avanço do conflito com preocupação.

Apesar das ameaças públicas e da continuidade dos bombardeios, a sinalização de possível diálogo entre Washington e Teerã abre um canal diplomático ainda incerto em meio à maior escalada militar no Oriente Médio das últimas décadas.

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