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A declaração foi dada nesta sexta-feira (6), durante conversa com a imprensa após o lançamento do programa Acredita Sebrae, em Cuiabá.
“Eu acho que é um momento de cautela. Não precisamos criar pavor. O Irã é um grande parceiro comercial da agropecuária brasileira, o maior comprador de milho do Brasil. Também o Brasil é muito dependente de nitrogenados importados, portanto, tem correlação no custo de produção”, afirmou.
De acordo com o ministro, o cenário já provoca apreensão no mercado, mas o governo avalia que ainda é cedo para qualquer intervenção. “Já há algum temor no mercado, mas eu gostaria de tratar isso com bastante cautela”, disse.
Fávaro destacou que a maior parte dos produtores que plantam a segunda safra de milho já adquiriu insumos, o que reduz impactos imediatos. Segundo ele, a safra de verão, que começa a ser plantada a partir de setembro, ainda tem prazo para a compra de insumos.
“O momento é de observação. O governo vai acompanhar isso ao lado dos produtores”, declarou.
O conflito no Oriente Médio pode elevar custos da produção agrícola no Brasil, segundo economistas. A agricultura brasileira depende de fertilizantes importados e parte da matéria-prima vem da região. Após o início da guerra, as cotações desses produtos já registraram alta no mercado internacional.
Outro fator é o transporte marítimo. O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, uma das principais rotas comerciais do mundo, levou navios a redirecionarem rotas, elevando custos de frete.
A região também é fornecedora de petróleo, o que pode pressionar o preço do diesel, combustível utilizado em máquinas agrícolas e no transporte de alimentos.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) mostram que o Oriente Médio é a quarta maior região fornecedora de fertilizantes químicos ao Brasil. Europa, Ásia e África aparecem à frente.
No mercado global, o peso da região é maior. O Oriente Médio responde por cerca de 40% das exportações mundiais de ureia e por 28% das vendas externas de amônia, insumos utilizados na produção de fertilizantes. Economistas apontam que oscilações na região costumam impactar diretamente os preços internacionais.

Fávaro pede cautela diante de conflito no Irã e diz que governo apenas monitora impacto no agro
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro (PSD), afirmou que o governo federal acompanha com cautela os possíveis impactos do conflito envolvendo o Irã sobre a agropecuária brasileira. Segundo ele, ainda não há medidas emergenciais para auxiliar produtores.
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