Impedida de deixar o União Brasil após ter sido eleita pela sigla, a vereadora Michelly Alencar (União) afirmou, durante sessão da Câmara de Cuiabá nesta terça-feira (10), que não aceitará ser tratada apenas como uma cota dentro do partido. A declaração foi feita após o governador Mauro Mendes afirmar que nenhum vereador eleito pela legenda será liberado para sair da sigla.
O posicionamento da parlamentar ocorreu depois que a Câmara aprovou o projeto de lei do policial federal Rafael Ranalli (PL), que institui a Semana Municipal de Enfrentamento à Violência Política contra as Mulheres no calendário oficial da capital.
Ao receber a palavra durante a sessão, Michelly aproveitou o momento para se manifestar sobre o tema.
“As mulheres não podem mais ser apenas o número de votos necessário para que os partidos cumpram suas cotas. E eu estou vivendo isso. Não sou, não fui e vou lutar para não ser apenas mais um número dentro do meu partido”, afirmou a vereadora, ao concordar com a proposta apresentada por Ranalli.

A fala de Michelly ocorre após o presidente estadual do União Brasil, governador Mauro Mendes, declarar que o partido não pretende liberar vereadores eleitos pela sigla em Mato Grosso.
“Os membros da executiva e os deputados estaduais do partido não abrem mão e não vão liberar nenhum candidato a vereador em nenhum município do estado de Mato Grosso. Nenhum desses vereadores se elegeu apenas com os próprios votos. Se algum vereador foi eleito 100% com os votos que recebeu, ele será liberado — eu vou defender isso. Mas, se foi eleito com votos de outros membros do partido, esse mandato também pertence a esses outros membros. Portanto, nós não vamos liberar”, declarou o governador durante entrevista coletiva no Palácio Paiaguás.
Durante um evento em uma churrascaria, a vereadora enfatizou que deseja ir para o Partido Novo, uma vez que deseja ser deputada estadual, mas não tem chance diante de outros deputados que querem reeleição, como Eduardo Botelho e Júlio Campos, do União Brasil.
Caso Michelly saia do partido sem autorização, ela poderá ser penalizada com a perda do mandato, pois a cadeira é do partido.