
O Indicador Cepea/CNA apontou que, após um período de altas até meados de março, os preços do feijão passaram a recuar nas últimas semanas, movimento associado à retração da demanda.
De acordo com análise do índice elaborado pelo Cepea em parceria com a CNA, compradores têm relatado dificuldades para repassar as valorizações ao longo da cadeia, enquanto vendedores ampliaram a oferta para aproveitar os patamares ainda elevados.
Mesmo com a queda observada no fim do mês, a média de março permaneceu acima da registrada em fevereiro para o feijão carioca e praticamente estável para o feijão preto, consolidando um primeiro trimestre marcado por valorização.
No mercado de feijão preto tipo 1, as cotações recuaram de forma generalizada entre 27 de março e 1º de abril. As quedas mais intensas foram registradas em Sorriso, com recuo de 3,25%, e em Itapeva, com queda de 2,53%. O movimento reflete a maior competitividade das ofertas vindas da Região Sul do país e a tentativa de escoamento de estoques pela indústria.
O avanço da oferta da safra 2025, especialmente no Paraná, também contribuiu para a pressão sobre os preços. Ainda assim, o valor médio de março ficou apenas 0,2% abaixo do registrado em fevereiro e acumula alta de 31,8% no primeiro trimestre.
No caso do feijão carioca notas 8 e 8,50, os preços também recuaram na maior parte das regiões, com exceção do Distrito Federal, que registrou alta de 1,28%, e das regiões Centro e Noroeste de Goiás, onde houve estabilidade.
Na Metade Sul do Paraná, a queda de 0,86% está relacionada à demanda mais fraca, enquanto no Triângulo Mineiro o recuo de 6,4% foi associado à menor qualidade dos grãos e ao menor interesse comprador. Apesar disso, na média mensal, o carioca registrou alta de 6,7% em relação a fevereiro e acumula valorização de 43,3% no primeiro trimestre.
No segmento de feijão carioca de notas 9 ou superior, a oferta permanece limitada, fator que ainda sustenta os preços em algumas regiões, embora a presença de lotes com defeitos continue pressionando as cotações.
Em Curitiba, os preços caíram 4,07% na semana, influenciados pela qualidade do produto e pela menor demanda. Já no Noroeste de Minas Gerais, a baixa disponibilidade de produto armazenado sustentou leve alta de 0,52%. Em março, os preços desse segmento ficaram 8,1% acima dos registrados em fevereiro e acumulam valorização de 48,1% no trimestre.
De modo geral, o mercado encerra o mês em processo de ajuste, com menor intensidade nas negociações, mas ainda sustentado pelos ganhos acumulados ao longo do primeiro trimestre.

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