Mesmo após um acordo de cessar-fogo articulado com Estados Unidos e Israel, o Irã ameaça romper a trégua diante dos sucessivos bombardeios contra o Líbano nesta quarta-feira (8).

De acordo com fontes do governo iraniano ouvidas por agências de notícias do país, Teerã avalia retomar os ataques sob a alegação de que Israel teria violado os termos do acordo.
Em comunicado divulgado pela emissora estatal Press TV, um alto funcionário da segurança afirmou que o país pode iniciar “uma ofensiva de defesa em grande escala a qualquer momento”, classificando o cessar-fogo como “frágil e temporário”.
O Irã defende que a trégua inclua todas as frentes do conflito no Oriente Médio, especialmente o Líbano e a Faixa de Gaza, alvos de bombardeios israelenses nas últimas semanas.
O acordo também previa a normalização do tráfego no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte global de petróleo.
Horas após o início do cessar-fogo entre EUA e Irã, a movimentação de navios na região voltou a crescer. Plataformas de monitoramento marítimo registraram, na manhã desta quarta-feira, a circulação de dezenas de embarcações pelo estreito.
Em publicação nas redes sociais, o porta-voz da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Ebrahim Rezaei, defendeu a suspensão imediata da trégua e o fechamento da rota marítima.
“Em resposta à invasão selvagem dos sionistas ao Líbano, deve-se interromper o tráfego de navios no Estreito de Ormuz”, afirmou.
Por outro lado, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou apoio ao acordo mediado pelos Estados Unidos, mas ressaltou que o Líbano não estaria incluído no cessar-fogo.
As Forças de Defesa de Israel informaram ter atingido cerca de 100 alvos em apenas dez minutos, em operações no sul do Líbano e na capital, Beirute.
Segundo o Ministério da Saúde libanês, um balanço preliminar aponta que os ataques desta quarta-feira deixaram dezenas de mortos e centenas de feridos.