Capital com maior taxa de feminicídios do país quer criar semana da valorização do homem

O vereador Adevair Cabral (Solidariedade) protocolou na Câmara de Cuiabá um projeto de lei que cria a Semana de Valorização da Paternidade e do Homem na capital. O texto foi lido na sessão desta quinta-feira (16) e segue em tramitação nas comissões da Casa de Leis.

Segundo o texto, a semana será celebrada anualmente no período que antecede o Dia dos Pais, comemorado no segundo domingo de agosto. O vereador justificou que o objetivo da proposta é promover reflexões e ações voltadas à importância do papel masculino na sociedade.

Vereador Adevair Cabral foto Camara de Cuiaba
Adevair Cabral é autor do projeto que cria semana da paternidade e do homem em Cuiabá. – Foto: Câmara de Cuiabá

Entre os pontos previstos no texto estão o incentivo à participação ativa dos pais na vida dos filhos, o debate sobre saúde emocional dos homens, o combate a estigmas relacionados à masculinidade e a promoção de campanhas de prevenção à saúde masculina, incluindo o câncer de próstata.

Um projeto que cria a Semana de Valorização da Paternidade e do Homem foi apresentado na Câmara de Cuiabá e começa a tramitar em meio a um cenário preocupante: a capital lidera o ranking nacional de feminicídios, o que amplia o debate sobre o papel masculino e a violência de gênero.
Mulheres vítimas de feminicídio em 2025 (Foto: reprodução)

Capital dos femicídios

Cuiabá tem a maior taxa proporcional de feminicídios do país. Somente nos quatro primeiros meses deste ano, o estado registrou 13 assassinatos de mulheres. Durante o ano passado foram 54, segundo os dados do Observatório Caliandra do Ministério Público de Mato Grosso (MTPT).

JULIA VITÓRIA DO PRADO DA SILVA
Júlia Vitória do Prado da Silva, de 20 anos, foi morta em Tapurah (MT). – Foto: Reprodução

O caso mais recente ocorreu em Tapurah (MT). A jovem Julia Vitória do Prado da Silva, de 20 anos, foi morta a facadas por Alair Ferreira de Lima, de 75 anos, com quem ela se relacionava. Outro homem, Hedio Antonio Machado, de 66 anos, ajudou a ocultar o corpo da vítima, que foi encontrado no porta-malas de um carro.

Considerando a população feminina estimada em cerca de 370 mil mulheres, a taxa de feminicídios em 2025 chega a 5,7 mortes por 100 mil mulheres — número que sobe para 15,7 ao incluir as tentativas, o maior índice entre as capitais brasileiras.

O cenário local acompanha uma tendência ainda mais grave no estado. Mato Grosso lidera o ranking nacional, com taxa de 19,6 feminicídios por 100 mil mulheres, segundo o Monitor de Feminicídios no Brasil (Lesfem/UEL). Em todo o país, o índice chegou a 5,12 por 100 mil mulheres em 2025, o mais alto desde 2015.

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