DA REDAÇÃO
O investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves afirmou, na tarde desta quinta-feira (14), durante depoimento no Tribunal do Júri, que atirou no policial militar Thiago de Souza Ruiz “para não morrer”, alegando que estava sendo enforcado pelas costas.

Pra não morrer. Eu atirei pra não morrer. Ele estava me enforcando pelas costas
O caso ocorreu no dia 27 de abril de 2023, dentro da conveniência de um posto de combustível localizado em frente à Praça 8 de Abril, em Cuiabá.
O julgamento, que entrou no terceiro dia nesta quinta-feira (14), aconteve no Fórum da Capital. A previsão é que seja finalizado ainda hoje, após os debates entre defesa e acusação.
A fala do investigador foi dada durante inquirição conduzida por seu advogado, Renan Canto, que questionou a motivação dos disparos. “Por qual motivo o senhor apertou o gatilho e efetuou dez disparos de arma de fogo? É isso que vai ser discutido aqui hoje […] Por que o senhor atirou então, senhor Mário?”, perguntou.
“Pra não morrer. Eu atirei pra não morrer. Ele estava me enforcando pelas costas”, respondeu.
Ainda no seu depoimento, Mário Wilson afirmou que tinha bebido horas antes, e após ir à casa de seu amigo, o advogado Gilson Vasconcelos Tibaldi de Amorim Silva, ambos foram até a conveniência para ele comprar cigarro. Ao chegar, encontraram o também policial civil Walfredo Raimundo Adorno Mourão Junior, que estava acompanhado de Thiago Ruiz.
De acordo com o investigador, Walfredo teria os apresentado como policiais civil e militar, mas ele disse ter duvidado da identidade da vítima. Após a abordagem inicial, ele entrou no estabelecimento, sentou-se em uma mesa e foi seguido por Thiago.
Imagens do caso mostram os dois sentados, acompanhados de Walfredo e Gilson. Em seguida, Walfredo sai do interior da conveniência, permanecendo apenas os três.
Conforme já relatado anteriormente, Thiago teria levantado a camiseta para mostrar uma cicatriz próxima à costela, momento em que o revólver que carregava na cintura ficou visível.
O réu afirmou que retirou a arma da vítima por suspeitar da legalidade do objetivo e da identidade dele como policial militar. Segundo ele, no momento dos fatos, anuncioou que acionaria o Ciosp para dar continuidade à ocorrência.
As imagens mostram que, na sequência, Thiago avançou em direção ao investigador e segurou o revólver. Durante a luta, Mário Wilson foi derrubado ao chão, enquanto Gilson retirou a arma das mãos dos dois.
Em seguida, ainda conforme o depoimento, o PM, que estava inclinado sobre as costas do investigador, aplicou um estrangulamento nele, e pouco depois Mário Wilson passou a efetuar os disparos.
Após ser atingido, Thiago se afastou correndo, enquanto os tiros continuaram. Ele morreu pouco depois de ser socorrido.
Veja o depoimento:
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