O mistério das patinhas que simulam pegadas de crianças na fauna brasileira

Uma imagem que circula nas redes sociais e em grupos de conservação tem intrigado internautas e amantes da natureza. Nela, é possível ver o detalhe das patas de um animal selvagem que, à primeira vista, remete imediatamente a “pezinhos de criança”. A semelhança da pegada traseira com a forma de um pé humano pequeno é uma curiosidade marcante e que gera mistério por onde o animal passa.

Patinha se assemelham a pegadas de crianças
Patinha ou pezinhos? (Foto: Raquel Muhlbeier/ICAS)

O registro foi feito durante um procedimento de monitoramento e manejo de rotina de uma fêmea, batizada de “Boo”, de apenas 2 anos de idade. Ela foi capturada para a troca de seu colar de monitoramento via GPS e para a coleta de amostras clínicas fundamentais para acompanhar seu estado de saúde e deslocamento no habitat natural. 

No entanto, o detalhe de seus membros inferiores roubou a cena e reacendeu uma antiga discussão sobre as marcas que esta espécie deixa no solo.

Para desvendar o mistério: esses “pezinhos de criança” pertencem a um tamanduá-bandeira, conforme o Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS). A imagem foi feita pela médica veterinária Raquel Muhlbeier.

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A explicação para essa semelhança tão nítida está na anatomia e na forma de locomoção do mamífero. O tamanduá-bandeira é um animal plantígrado nas patas traseiras. Isso significa que, ao caminhar, ele apoia toda a sola do pé no chão, desde o calcanhar até a ponta dos dedos, assim como os seres humanos. 

Essa estrutura anatômica deixa no solo uma impressão muito próxima à de um pé humano pequeno. Já as patas dianteiras seguem uma dinâmica completamente oposta.

Tamanduá-bandeira (Foto: Reprodução/Icas)
Tamanduá-bandeira (Foto: Reprodução/Icas)

Nelas, o animal é nudiculado: caminha apoiando o dorso dos dedos e as “juntas” no chão, em uma adaptação para proteger suas potentes garras curvas, que nunca tocam o solo diretamente para não se desgastarem.

Essas grandes garras dianteiras são ferramentas cruciais para a sobrevivência do tamanduá na natureza, com funções vitais de:

  • Alimentação: Abertura de cupinzeiros e formigueiros rígidos na busca por alimentos.
  • Defesa: Proteção contra grandes predadores, como onças, garantindo ao animal uma postura defensiva ereta e imponente quando se sente ameaçado.

Monitoramento

Projetos de pesquisa que utilizam tecnologias como o rastreamento via colar GPS são vitais para a preservação de espécies ameaçadas em biomas brasileiros como o Cerrado e o Pantanal. 

A coleta regular de dados de saúde e o mapeamento territorial fornecem aos cientistas informações decisivas para entender os impactos da perda de habitat, os riscos de atropelamento e as dinâmicas reprodutivas, garantindo medidas de conservação cada vez mais precisas para animais como a fêmea Boo.

Vídeo: Cristina Sena Madureira/ Visit Bonito

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