Júlio atribui derrota a “boicote” e racha: “Fiquei sem palanque”

Victor Ostetti/MidiaNews

O deputado estadual Júlio Campos disse que teve campanha

O deputado estadual Júlio Campos disse que teve campanha “humilde” em comparação com adversários

VITÓRIA GOMES

DA REDAÇÃO

O deputado estadual Júlio Campos (União) atribuiu a derrota na tentativa de reeleição à falta de recursos do fundo partidário, ao esvaziamento da chapa do União Brasil e ao racha interno que o levou a apoiar o também derrotado Wellington Fagundes (PL) ao Governo de Mato Grosso.

 

Fui cortado do fundo partidário. Vocês podem olhar a minha prestação de conta. Não entrou um centavo

Júlio recebeu 18.517 votos e ficou na primeira suplência da federação União Progressista. Em 2022, havia sido eleito com 33.800 votos. Em Várzea Grande, seu principal reduto político, terminou apenas na sétima colocação entre os candidatos à Assembleia.

 

O deputado afirmou que esperava chegar a 40 mil votos, mas teve uma campanha prejudicada pela falta de estrutura financeira e política.

 

“Eu fui o único político do União que não recebeu fundo partidário. Fui cortado do fundo partidário. Vocês podem olhar a minha prestação de conta. Não entrou um centavo”, afirmou nesta quarta-feira (7).

 

Segundo Júlio, enquanto outros candidatos receberam entre R$ 1 milhão e R$ 2,9 milhões, sua campanha foi bancada com recursos próprios e doações de familiares e amigos.

 

Ele também apontou o enfraquecimento da chapa do União Brasil, após candidatos deixarem a legenda na reta final, e o racha provocado pela disputa interna pelo Governo.

 

Ao apoiar Wellington em vez de Otaviano Pivetta (Republicanos), Júlio afirmou que acabou sem espaço nos palanques dos dois grupos.

 

“Fiquei sem palanque, porque não podia participar do palanque do candidato que eu estava apoiando, como também não podia participar do outro, que era do nosso adversário momentâneo, que foi o governador Pivetta. Tudo isso atrapalhou”, disse.

 

“Além disso, temos que lembrar que o presidente do partido, Mauro Mendes, esvaziou a nossa chapa de deputado estadual. Os filiados Alan Porto, Gilberto Figueiredo e tantos outros que foram candidatos por outros partidos, deixaram o União Brasil no último dia e filiaram em outro partido, o que deu uma chapa muito insuficiente para termos voto”, afirmou.

 

Aposentadoria no radar

 

Aos 79 anos, Júlio também admitiu que pode encerrar a carreira política. Ele completa 80 anos em dezembro e afirmou que já havia pensado em não disputar a eleição este ano.

 

“A própria idade já até recomenda [aposentadoria]. Eu já fui tudo. Já tinha pensado nisso, vocês lembram que não era meu pensamento entrar na campanha”, afirmou.

  

“É natural que os políticos passam, né? A política tem início, meio e fim. Eu já estava preparando para encerrar realmente a carreira”, disse.

 

Saída do União

 

Júlio também não confirmou se permanecerá no União Brasil após o fim do mandato. Ele afirmou que pretende primeiro concluir a atual legislatura.

 

“Se tiver que continuar no União Brasil, posso continuar sem problema nenhum, porque o União Brasil não é de Mauro Mendes. É de todos nós”, completou.

 

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