DA REDAÇÃO
O deputado federal eleito Thiago Boava (PL) afirmou que a direita poderá discutir a criação de um novo partido caso o PL não reveja alianças e decisões que provocaram divergências internas nas eleições deste ano. Para ele, o resultado das urnas em Mato Grosso mostrou a necessidade de uma mudança de rumo na legenda.
Ou vamos tentar construir um partido novo, ou vamos sentar e ajustar com o Valdemar
“Ou vamos tentar construir um partido novo, ou vamos sentar e ajustar com o Valdemar”, disse ao MidiaNews, em referência ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
Eleito com 72.375 votos, Boava criticou principalmente a estratégia adotada pelo partido na disputa estadual. O PL lançou o senador Wellington Fagundes ao Governo e se aliou ao MDB, que tinha Janaina Riva como candidata ao Senado.
A composição provocou resistência entre lideranças bolsonaristas e afastou da campanha alguns dos principais prefeitos do PL no Estado, entre eles Abilio Brunini, de Cuiabá, Flávia Moretti, de Várzea Grande, e Cláudio Ferreira, de Rondonópolis.
Wellington e Janaina acabaram derrotados no primeiro turno. Otaviano Pivetta (Republicanos) foi reeleito governador, enquanto Mauro Mendes (União Brasil) e José Medeiros (PL) conquistaram as duas vagas ao Senado.
Na avaliação de Boava, o resultado confirmou que o desenho inicialmente defendido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para a eleição em Mato Grosso teria sido eleitoralmente mais competitivo.
“O Bolsonaro desenhou o que ele queria para o Estado, porque sabia que o que tinha desenhado ficaria mais fácil. E ficou provado pelas urnas que o que ele desenhou era o certo a ter sido feito”, afirmou.
O deputado eleito disse que a definição dos próximos passos dependerá também de Bolsonaro e do resultado da eleição presidencial, na qual Flávio Bolsonaro (PL) disputa o segundo turno contra o presidente Lula (PT).
“Se Deus quiser, teremos o Flávio eleito, o presidente Bolsonaro solto e o posicionamento dele sobre qual será o rumo da direita no Brasil. Porque não podemos mais flertar com situações como essa. O eleitor não aceita mais”, disse.
Apesar das críticas, Boava evitou defender neste momento uma troca no comando do PL em Mato Grosso.
“Eu acho muito cedo para eu entrar nesse debate agora”, afirmou. “Mas acho que o eleitor deixou o recado dele na urna.”
O PL estadual é presidido por Ananias Filho, que, procurado pela reportagem, afirmou permanecer no cargo e disse contar com o respaldo de Valdemar Costa Neto
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