DA REDAÇÃO
Investigação do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) no âmbito da Operação Cathedra Venalis identificou movimentações financeiras consideradas atípicas envolvendo vereadores, assessores, familiares e empresários.
A ação, deflagrada nesta terça-feira (21), investiga um suposto esquema de corrupção relacionado à eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande.
Um dos principais alvos da análise é o vereador Miguel Angel (Cidadania), cuja conta pessoal movimentou R$ 3,17 milhões em apenas seis meses, incluindo transações com familiares, agentes políticos e uma empresa que recebeu recursos públicos da área da saúde.
As informações constam de um relatório da Coordenadoria de Análise do Gaeco, concluído em 13 de agosto deste ano, com base em dois Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs).
Segundo o documento, foram identificadas transferências entre contas pessoais e empresariais, depósitos e saques em dinheiro, pagamentos de despesas por terceiros e operações consideradas incompatíveis com a capacidade financeira declarada de alguns investigados.
O núcleo de Miguel Angel apresentou, segundo o Gaeco, a maior complexidade financeira e de relacionamentos entre os investigados.
Além dos R$ 3,17 milhões movimentados em sua conta pessoal, os investigadores identificaram transações envolvendo o CEMED-VG, empresa pertencente ao núcleo familiar e que recebeu recursos de fundos municipais de saúde e organizações do terceiro setor.
A empresa realizou repasses ao próprio Miguel, ao pai dele, a Rafael Piovezan de Campos e a uma familiar deste último.
Também foi identificado um depósito de R$ 62,5 mil em espécie.
Para os investigadores, as operações revelam intensa circulação de recursos entre contas pessoais, familiares e empresariais, inclusive com transações realizadas em períodos coincidentes.
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Empresa de segurança
Outro núcleo destacado pelo Gaeco envolve o vereador Cilço da Cruz Filho, Cilcinho (PV), e a empresa Grampo Segurança e Monitoramento Ltda.
Segundo o relatório, a empresa transferiu R$ 546,3 mil ao investigado e recebeu dele R$ 75,3 mil, totalizando R$ 621,6 mil em movimentações nos dois sentidos.
A Grampo também recebeu recursos expressivos de empresas dos setores de construção, engenharia e incorporação imobiliária, além de realizar repasses a familiares e outras pessoas relacionadas.
Consideradas as operações diretamente identificadas, Cilço movimentou R$ 713 mil. Ele também aparece relacionado a uma operação em espécie de R$ 76,4 mil.
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Ligação com vereador
No caso do presidente da Câmara de Vereadores Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), o Gaeco identificou R$ 22,8 mil em movimentações financeiras diretas.
A principal conexão apontada pelos investigadores envolve Aloisio Osvino Dreyer, assessor comissionado da Câmara.
Segundo o relatório, Aloisio realizou operações financeiras com filhos, irmãos e outras pessoas relacionadas ao núcleo familiar de Wanderley.
O Gaeco considera o assessor um elo financeiro recorrente entre o investigado, seus familiares e pessoas vinculadas funcionalmente à Câmara.
O documento, porém, não especifica a finalidade dessas transferências.
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A operação
Ao todo, a operação Cathedra Venalis cumpriu 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães.
Entre os alvos estão o próprio Wanderley Cerqueira e os vereadores Rogerinho da Dakar (PSDB), Raul Curvo (Republicanos), Gisa Barros (Podemos), Cilcinho (PV), Braz Jaciro (PSDB), Alessandro Moreira (MDB), Wender Silva (Republicanos), Denival Galibert (PSB), Miguel Angel (Cidadania), Lucélia Oliveira (Agir), Kleberton Feitoza (PSB) e Emerson Cesar (PP).
Também foram alvos a diretora financeira da Casa, Lorineide Aparecida Trindade Inha, conhecida como Lori, e o secretário legislativo Samir Japonês (PL).
Os vereadores de Cuiabá Ilde Taques e Alex Rodrigues, ambos do Podemos, também estão entre os investigados.
As investigações buscam esclarecer se houve negociação de votos e oferecimento de vantagens indevidas para influenciar o resultado da eleição.
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