No Rio Grande do Sul, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, se reuniu com o ministro da Pecuária, Agricultura e Pesca do Uruguai, Alfredo Fratti, para tratar da cooperação entre os dois países em áreas de interesse comum. Entre os temas discutidos estiveram o acordo para o Monitoramento Sanitário Binacional do Bioma Pampa, o lançamento de um plano-piloto para o reconhecimento mútuo de avaliações de bioinsumos e a proposta de um projeto-piloto de fronteira inteligente, inicialmente nos pontos Rivera–Santana do Livramento e Chuy–Chuí.
O encontro ocorreu na quarta-feira (2/09), na sede da Superintendência de Agricultura do Mapa, em Porto Alegre.
O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Augusto Billi, destacou a aproximação entre as equipes técnicas dos dois países. “Com base no memorando de entendimento, nós vamos trabalhar em planos de ação para alcançar essas áreas, facilitar o trânsito na fronteira e harmonizar o regulamento de bioinsumos. Também foram tratados assuntos de acesso a mercado e outros temas de interesse mútuo”, afirmou.
COOPERAÇÃO EM BIOINSUMOS E INOVAÇÃO
Em novembro de 2025, os ministérios da Agricultura do Brasil e do Uruguai assinaram Memorando de Entendimento que estabelece um marco de referência para o desenvolvimento conjunto de políticas, produtos, processos e tecnologias de origem biológica. O documento prevê intercâmbio técnico e científico e cooperação em áreas relacionadas aos bioinsumos.
Como desdobramento do acordo, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Instituto Nacional de Investigación Agropecuaria (INIA) trabalham na implementação da Unidade Mista de Pesquisa e Inovação (UMIPI-BR.UY). A iniciativa tem entre seus temas de atuação o Bioma Pampa, bioinsumos, digitalização, inteligência artificial e sustentabilidade, com atividades previstas no Rio Grande do Sul e em estações experimentais uruguaias.
MONITORAMENTO SANITÁRIO BINACIONAL DO BIOMA PAMPA
Brasil e Uruguai também tratam da cooperação para o monitoramento sanitário do Bioma Pampa, ecossistema compartilhado pelos dois países e pela Argentina e de importância para a atividade agropecuária e a conservação da biodiversidade.
A proposta envolve a harmonização de protocolos de vigilância, o intercâmbio de informações epidemiológicas e a coordenação de ações de prevenção e controle de doenças e pragas. A iniciativa busca aprimorar a atuação conjunta e a troca de informações entre as autoridades sanitárias dos dois países.
PROJEO-PILOTO DE FRONTEIRA INTELIGENTE
Durante a reunião, os ministros também trataram da implementação de um projeto-piloto de fronteira inteligente, com prioridade para os pontos Rivera–Santana do Livramento e Chuy–Chuí. A proposta prevê maior integração dos controles aduaneiros, migratórios, sanitários e de segurança, com coordenação entre os órgãos dos dois países.
O projeto considera o uso compartilhado de informações e de tecnologias de inspeção, com o objetivo de aperfeiçoar os procedimentos de controle e facilitar o fluxo de pessoas e mercadorias nas regiões de fronteira.
A experiência nos dois pontos prioritários poderá subsidiar a avaliação de futuras iniciativas semelhantes em outros locais da fronteira entre Brasil e Uruguai.
RELAÇÕES COMERCIAIS DO AGRONEGÓCIO ENTRE BRASIL E URUGUAI
Em 2025, o intercâmbio comercial de produtos agropecuários entre Brasil e Uruguai totalizou aproximadamente US$ 2,22 bilhões, segundo dados do Agrostat. As exportações brasileiras para o país vizinho somaram US$ 990 milhões, enquanto as importações alcançaram US$ 1,23 bilhão.
Os cinco principais produtos agropecuários exportados pelo Brasil ao Uruguai foram carnes, produtos florestais, chá, mate e especiarias, fibras e produtos têxteis e bebidas. Nas importações brasileiras, destacaram-se cereais, farinhas e preparações, lácteos, produtos oleaginosos, exceto soja, carnes e bebidas.
O comércio bilateral ocorre no âmbito do Mercosul e inclui produtos de diferentes cadeias agropecuárias. Em 2025, o Uruguai teve participação relevante no fornecimento ao mercado brasileiro de cereais, especialmente trigo, e de produtos lácteos, enquanto o Brasil exportou principalmente carnes e produtos florestais.
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