Ministro André de Paula conhece produção de azeites premiados no Rio Grande do Sul

O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, visitou nesta quarta-feira (2/09), em Viamão (RS), a Estância das Oliveiras, propriedade dedicada à produção de azeites de oliva extravirgem. A agenda integrou a programação do ministro no Rio Grande do Sul e incluiu a apresentação dos resultados obtidos pela propriedade na edição 2026 do London International Olive Oil Competition (London iOOC).

Na competição, a Estância das Oliveiras recebeu duas medalhas de Platina, para os azeites Signature e Coratina; sete de Ouro, para Blend Exclusivo, Arbequina, Koroneiki, Picual, Galega, Los Dos e La Mamma; e uma de Prata, para o Frantoio. Os resultados foram divulgados em maio de 2026, e a cerimônia oficial de entrega dos prêmios ocorreu em Londres no dia 27 de junho.

Durante a visita aos olivais e às instalações de processamento, o ministro conheceu as etapas de produção e informações sobre a trajetória da propriedade. O secretário-executivo do Mapa, Cleber Soares, representou o Brasil na cerimônia oficial de entrega dos prêmios, em Londres.

“Não podia ser mais oportuna essa visita, porque isso que a gente vê aqui na Estância das Oliveiras é exatamente o atestado que o mundo todo dá à qualidade dos produtos que vocês produzem aqui. Saio daqui extremamente orgulhoso da força dos nossos produtores, da capacidade e da qualidade dos nossos produtos”, destacou o ministro.

PRODUÇÃO FAMILIAR

A Estância das Oliveiras é uma agroindústria familiar fundada pelo engenheiro agrônomo Lucídio Morsch Goelzer. A experiência adquirida em viagens a países tradicionais na produção de azeite e a percepção sobre a qualidade de parte dos produtos disponíveis no mercado brasileiro levaram Lucídio a iniciar a produção própria, inicialmente para o consumo da família. As primeiras oliveiras foram plantadas no início dos anos 2000, em uma das primeiras iniciativas comerciais de olivicultura do Rio Grande do Sul.

Atualmente, a propriedade reúne toda a família, com a participação da esposa, Sônia Sittoni Goelzer, e os filhos André, mestre lagareiro com formação na Itália; Rafael, responsável pelas relações de mercado; e Lucas, que atua na área financeira.

Na safra 2026, a propriedade elaborou dez rótulos, sendo seis monovarietais e quatro blends. A produção prioriza a colheita precoce das azeitonas, o processamento rápido dos frutos, além da valorização das características do terroir local.

DA PESQUISA À PRODUÇÃO COMERCIAL

O mestre lagareiro e degustador profissional André Sittoni Goelzer, filho do fundador da Estância, explicou que a trajetória da propriedade também está relacionada à pesquisa agropecuária. Em 2003, a Estância das Oliveiras recebeu uma unidade experimental da Embrapa e passou a integrar um projeto nacional de avaliação de cultivares de oliveira. Na época, cerca de 35 árvores foram plantadas para avaliar a adaptação das variedades às condições locais.

“Junto com uma parceria da Embrapa, a gente botou uma unidade aqui e começamos a desenvolver essa cultura, sendo um dos pioneiros no Brasil no cultivo de oliveiras. A partir disso, depois de muitos anos, começamos a ver quais variedades se adaptavam ao clima, ao tipo e à qualidade do solo que temos aqui na propriedade e quais poderiam ser desenvolvidas para fortalecer a olivicultura no Rio Grande do Sul”, explicou Aandré Goelzer.

RECONHECIMENTO INTERNACIONAL

O London iOOC avalia azeites de diferentes países na categoria Quality por meio de provas às cegas, com amostras codificadas analisadas por um júri internacional especializado em avaliação sensorial. As premiações são classificadas em Platina, Ouro, Prata e Bronze.

RIO GRANDE DO SUL LIDERA PRODUÇÃO NACIONAL

O Rio Grande do Sul é atualmente o principal polo da olivicultura brasileira. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), o estado produziu 1,17 milhão de litros de azeite em 2026, cerca de 82% da produção nacional, que alcançou o recorde de 1,434 milhão de litros. O estado reúne cerca de 390 produtores e 31 lagares, concentrando a maior parte da área cultivada e da estrutura de processamento do país.

Além do Rio Grande do Sul, a Serra da Mantiqueira, entre Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, é outro polo produtor, com 250 mil litros em 2026. Santa Catarina, Paraná e Espírito Santo também registram produção de azeites.

Apesar do crescimento da produção nacional, o Brasil ainda depende das importações para atender à demanda interna. Em 2025, o país importou cerca de US$ 603 milhões em azeite de oliva, enquanto as exportações somaram aproximadamente US$ 3,1 milhões.

A produção de azeites integra uma cadeia em expansão no país, com iniciativas voltadas à adaptação de cultivares, aprimoramento das técnicas de cultivo e processamento e agregação de valor à produção agropecuária.

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