Grupo suspeito de furtar R$ 105 mil de caixas eletrônicos e lavar cédulas é alvo de operação com 10 presos em MT

Dez pessoas foram presas durante a Operação Círculo Vicioso, deflagrada nesta quinta-feira (5), para desarticular um grupo criminoso interestadual especializado em arrombar e furtar caixas eletrônicos. Além das prisões, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão domiciliar, 18 autorizações para acesso a dados de dispositivos eletrônicos, 15 quebras de sigilo bancário e 13 ordens de bloqueio de ativos financeiros no valor de aproximadamente R$ 240 mil.

Durante as investigações, as equipes identificaram uma estrutura criminosa com atuação em diferentes estados e responsável por uma série de furtos a caixas eletrônicos instalados em estabelecimentos comerciais e instituições financeiras de Cuiabá e Várzea Grande.

Criminosos lavavam o dinheiro que ficava sujo após o roubo. - Foto: PJC
Criminosos lavavam o dinheiro que ficava sujo após o roubo. – Foto: PJC

Os mandados são cumpridos em Cuiabá e Rondonópolis, e nas cidades de Joinville (SC) e São Luís (MA). O cumprimento das ordens judiciais conta com o apoio da Polícia Civil de Santa Catarina, da Polícia Civil do Maranhão e da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Arrombamento de caixas eletrônicos

As investigações tiveram início a partir de um furto ocorrido na madrugada de 21 de janeiro de 2026, em um caixa eletrônico instalado em um supermercado, no bairro Praia Grande, em Várzea Grande. Na ação, os suspeitos utilizaram uma lança térmica, ferramenta industrial usada para cortar materiais resistentes e assim romper o cofre do equipamento. Mesmo com o acionamento do sistema de segurança, que libera tinta sobre as cédulas para inutilizá-las, os criminosos conseguiram levar R$ 105 mil.

Durante a apuração dos fatos, foi identificado que o crime fazia parte de uma sequência de ataques com características semelhantes. Ao todo, foram identificados seis furtos praticados entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026 em caixas eletrônicos de Cuiabá e Várzea Grande.

Criminosos explodiam caixas eletrônicos localizados em supermercados. - Foto: PJC
Criminosos explodiam caixas eletrônicos localizados em supermercados. – Foto: PJC

As ações tinham como características o arrombamento de paredes, a utilização de lonas para esconder a luminosidade produzida pela lança térmica e o corte dos cofres dos equipamentos.

Núcleos e lavagem de dinheiro

Conforme apurado, o grupo criminoso possuía núcleos responsáveis pela execução dos furtos, pela lavagem das cédulas sujas de tinta, pela utilização de equipamentos tecnológicos e pelo recebimento dos recursos ilícitos.

Após os ataques, o grupo criminoso realizava um procedimento para retirar fisicamente a tinta de segurança das cédulas, utilizando produtos químicos e outros materiais. Em seguida, o dinheiro era depositado de maneira fracionada em diferentes agências bancárias, estratégia conhecida como smurfing, para dificultar a identificação da origem criminosa dos valores.

Criminosos explodiam caixas eletrônicos localizados em supermercados. – Vídeo: PJC

O dinheiro obtido nos furtos era distribuído entre diferentes integrantes e terceiros, que recebiam os depósitos em suas contas bancárias. A análise de imagens dos circuitos de segurança das instituições financeiras e outros elementos de investigação permitiu identificar a participação dos suspeitos em diferentes etapas do esquema criminoso.

Atuação interestadual

A investigação apontou que o grupo criminoso possuía integrantes residentes em outros estados, especialmente em Santa Catarina, que se deslocavam para Mato Grosso para executar os ataques. Os elementos reunidos também indicaram conexões dos investigados com práticas criminosas anteriores nos estados do Rio de Janeiro e de Alagoas.

Criminosos explodiam caixas eletrônicos localizados em supermercados. - Foto: PJC
Criminosos explodiam caixas eletrônicos localizados em supermercados. – Foto: PJC

As medidas judiciais autorizadas abrangem endereços em Mato Grosso e em Joinville, além de providências destinadas a interromper a movimentação dos recursos financeiros provenientes das atividades ilícitas.

A decisão judicial também autorizou o bloqueio de ativos financeiros dos investigados até o limite global de R$ 239.980,52, valor correspondente aos prejuízos quantificados nos autos em quatro dos furtos investigados, com possibilidade de reavaliação após o aprofundamento das análises financeiras.

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