Uma fotografia feita em Corumbá, no Pantanal de Mato Grosso do Sul, conquistou o primeiro lugar na seleção brasileira do Wiki Loves Monuments 2026, considerado o maior concurso fotográfico do mundo dedicado ao patrimônio cultural.
O registro, feito pelo fotógrafo corumbaense Guilherme Provenzano Giovanni, mostra o sistema de captação de água sobre o Rio Paraguai e agora vai representar o Brasil na etapa internacional da competição.

A imagem reúne dois elementos importantes da identidade pantaneira: a estrutura de captação de água instalada sobre o rio e uma canoa artesanal, que aparece integrada à paisagem. A fotografia foi produzida em 2024, durante o período de cheia do Rio Paraguai, mas acabou sendo escolhida entre os destaques da edição de 2026.
O concurso Wiki Loves Monuments reúne fotografias de monumentos e patrimônios culturais de diferentes países. As imagens selecionadas são disponibilizadas sob licenças livres, permitindo o uso na Wikipédia e em outras plataformas digitais. A iniciativa contribui para documentar, divulgar e preservar a memória do patrimônio histórico e cultural.
Fotógrafo já havia colocado MS no concurso
A participação de Guilherme na competição começou em 2024, quando foi indicado por uma pessoa que conhecia seu trabalho e o incentivou a enviar fotografias de Corumbá. Naquele momento, Mato Grosso do Sul ainda não tinha presença no banco de imagens do concurso.
O fotógrafo decidiu aproveitar o acervo que já possuía sobre a história e o patrimônio da região. O resultado foi a conquista de três reconhecimentos na primeira participação: uma menção honrosa, um quarto lugar e um nono lugar.
“Foi a primeira vez que eu fui apresentado para esse concurso. Uma pessoa me indicou e eu enviei algumas fotos, porque Mato Grosso do Sul nunca tinha entrado no mapa desse concurso. O Brasil inteiro já tinha preenchido com alguma fotografia, mas Mato Grosso do Sul, de forma geral, nunca tinha participado”, contou Guilherme.
A presença de Corumbá chamou a atenção da organização, que convidou Guilherme para participar de uma transmissão ao vivo e falar sobre as fotografias e o patrimônio sul-mato-grossense.
“Eu fui informado que teria algumas fotos premiadas e me pediram para participar de uma live. Então fui entrevistado ao vivo naquele ano de 2024, quando conquistei uma menção honrosa, um nono lugar e um quarto lugar. Então, Mato Grosso do Sul, pela primeira vez, com Corumbá, entrou também nesse mapa”, relembrou.
Em 2026, o fotógrafo voltou a participar, desta vez com o objetivo de ampliar o registro visual dos patrimônios históricos da cidade. Ele conta que aproveitou a oportunidade para fotografar o maior número possível de locais, independentemente das condições de conservação.
“Em 2026, agora, eu fui convidado por eles para participar do concurso. Então procurei fazer novas fotos, porque você precisa renovar também esse acervo. Nem sempre aquele lugar que você fotografou vai estar do mesmo jeito, ele pode nem existir mais, mas o local ainda pode estar lá, o terreno ou alguma coisa assim”, explicou.
O trabalho também teve destaque pela quantidade de imagens enviadas. Guilherme ficou entre os cinco maiores colaboradores do Brasil nesta edição, com fotografias de patrimônios que ainda não faziam parte do banco de dados do concurso.
“Eu tirei um tempo para poder fazer o máximo de fotos possíveis e cobrir o máximo que tem de patrimônio aqui em Corumbá, independentemente do estado de conservação. Para minha surpresa, vi no resultado que fui o quinto maior contribuidor desse ano no Brasil inteiro, no envio de fotos”, destacou.
Foto premiada une patrimônio histórico e cultura pantaneira
A fotografia foi feita durante a cheia do Rio Paraguai, no pôr do sol. Para chegar ao resultado desejado, o fotógrafo utilizou tripé e filtros de densidade neutra, buscando uma tonalidade mais azulada e uma composição que valorizasse os elementos da paisagem.
“Essa foto foi feita de uma forma produzida. Ela foi uma foto que já tinha sido enviada em 2024, eu fiz ela em 2024. Eu queria colocar a parte histórica e a parte cultural ao mesmo tempo. Era uma época de cheia, posicionei ali no pôr do sol, mas não aquele pôr do sol que a gente está acostumado a ver, com a ponte de captação alaranjada. Eu queria pegar uma coisa mais azul e, ao mesmo tempo, suavizar a questão do céu”, contou.
Segundo ele, a escolha da fotografia foi uma surpresa, principalmente porque outras imagens que disputavam a premiação tinham características mais arquitetônicas e linhas geométricas.
“Eu estava vendo que o caminho das fotos estava bem mais para a parte arquitetônica, de engenharia, aquelas linhas mais retas. Eu não via uma possibilidade de o tipo de foto que eu enviei ser uma foto vencedora, mas justamente pelo diferencial, por ser o sistema de captação integrado com uma parte cultural, que é uma canoa feita à mão”, explicou.
Para Guilherme, o diferencial do registro está justamente na combinação entre engenharia, patrimônio e cultura regional.
“Para mim foi uma grande surpresa ter esse diferencial, ser o Pantanal. Eu acho isso muito importante, ser Corumbá. Mais uma vez Corumbá está ali e eu estou conseguindo mostrar essa parte da cidade também”, afirmou.