DA REDAÇÃO
A Justiça de Mato Grosso homologou um acordo de R$ 100 mil firmado entre o Ministério Público Estadual (MPE) e o influenciador digital Victor Vinicius de Freitas Gonçalves Silva, um dos alvos da Operação 777, que investigou um esquema de divulgação de jogos de azar, como o “Jogo do Tigrinho”, e rifas ilegais nas redes sociais.
A decisão foi assinada pelo juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, e publicada nesta quarta-feira (21).
O valor, referente à reparação por danos morais coletivos, deverá ser pago em cinco parcelas mensais e sucessivas de R$ 20 mil. Além do pagamento, Victor deverá comparecer a cada dois meses ao Juízo da Execução Penal de Pindamonhangaba (SP) para informar seu endereço e justificar suas atividades durante o período de cumprimento da obrigação financeira
Em contrapartida, a Justiça determinou a extinção da ação penal em relação ao influenciador.
Deflagrada pela Polícia Civil em 2024, a Operação 777 investigou a atuação de influenciadores digitais de Mato Grosso e São Paulo suspeitos de utilizar as redes sociais para promover jogos de azar e rifas ilegais.
Com mais de 30 mil seguidores, Victor divulgava o Fortune Tiger, conhecido popularmente como “Jogo do Tigrinho”, enquanto ostentava uma rotina de luxo, marcada por viagens internacionais e veículos importados de alto valor.
Conforme a acusação, ele associava a conquista de bens materiais aos supostos ganhos obtidos com apostas on-line, utilizando as publicações para atrair seguidores às plataformas.
Para o Ministério Público, Victor utilizava a ostentação e o discurso de ascensão financeira rápida para conquistar a confiança do público e incentivar a participação nos jogos.
As investigações também identificaram que o influenciador figurava como sócio-administrador da empresa Victor777 Serviços Ltda., aberta em outubro de 2023 para atuar no ramo de produção e promoção de eventos esportivos.
Segundo a acusação, porém, a empresa servia de suporte financeiro e estrutural para a divulgação das plataformas de apostas.
Além de Victor, foram alvos da operação Bruno Fabiano Marques de França, Gabriel Ferreira de Oliveira, Carlos Henrique Morgado Rodrigues, Cristiane de Freitas Gonçalves Silva, Nicolas Guilherme de Freitas Gonçalves Silva e Sandra Regina Ferreira.
De acordo com a Polícia Civil, o grupo investigado chegou a movimentar R$ 12,8 milhões apenas no primeiro semestre de 2024.
A operação
As investigações apontaram que quatro influenciadores de Mato Grosso e dois de São Paulo divulgavam diariamente novas plataformas ilegais de apostas on-line.
Na ocasião, a Justiça determinou a suspensão das atividades econômicas e dos registros no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de nove empresas ligadas aos investigados e a pessoas físicas da China.
Também foi autorizado o bloqueio de sete perfis no Instagram e no Facebook.
Os investigados ainda foram submetidos a medidas cautelares, como a proibição de deixar o país, a apreensão dos passaportes e a proibição de divulgar jogos de azar ilegais.
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