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O recorte do Datafolha por distância até o local de votação indica que o eleitor de Lula está mais sujeito a se abster do que o de Flávio Bolsonaro, diz Thais Bilenky no A Hora, do Canal UOL.
A jornalista comenta um trecho da pesquisa em que o instituto separa a intenção de voto de quem mora perto e de quem mora longe do lugar em que vota. Na avaliação dela, esse dado ajuda a medir quem tem mais chance de enfrentar obstáculos no domingo.
O Datafolha perguntou a intenção de voto para quem mora perto do local de votação e para quem mora longe do local de votação. Flávio Bolsonaro tem 48% da intenção de voto de quem mora perto e o Lula tem 45% de quem mora perto do local onde vota. E entre quem mora longe, o Lula tem 51% a 43% do Flávio Bolsonaro. Ou seja, o eleitor do Lula, em grande maioria, tem que se deslocar numa distância maior para ir votar. E por isso aumenta a chance de, por qualquer motivo, ele não chegar ao local de votação dele.
Thais Bilenky
Para Bilenky, o risco cresce quando o deslocamento é maior: chuva, filas e problemas no caminho podem pesar mais para quem precisa atravessar a cidade para votar do que para quem está a poucas quadras da seção.
José Roberto de Toledo concorda que a distância pode virar um fator prático de participação. Ele cita a previsão de chuva em São Paulo no domingo e diz que, em geral, quem mora longe tende a depender de transporte público, o que aumenta a chance de não chegar.
Se o cara mora longe, em geral, quem mora longe é mais pobre. Não vai de carro votar, usa transporte público. O risco de ele não chegar à sessão eleitoral, ao local de votação, é maior. Então, talvez possa haver uma quebra pela dificuldade.
José Roberto de Toledo
Toledo acrescenta que institutos também tentam estimar o chamado likely voter – o eleitor com maior probabilidade de votar – usando perguntas sobre participação no primeiro turno e em eleições anteriores, além de checagens para reduzir respostas dadas ‘para agradar’.
Na leitura dele, esse tipo de filtro tende a favorecer um pouco mais Flávio do que Lula. Mesmo assim, o jornalista diz que o movimento dos números na reta final aponta para um cenário mais favorável ao petista – desde que o eleitor que declara voto consiga ir às urnas e concluir o voto.
Olhando todos os números e levando em conta risco de abstenção – que eu concordo com você, é maior para o eleitor do Lula, no mínimo pela distância – e o likely voter tende a ser um pouco mais favorável, na minha opinião, ao Flávio do que ao Lula também. Os números estão caminhando numa direção que aumentam a probabilidade, a chance de vitória do Lula. Ainda não chegou lá, é por uma distância muito pequena.
José Roberto de Toledo
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