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Durante o debate da TV Globo, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) voltou atrás em temas que defendeu na campanha ou em seu passado político. Nesta sexta-feira (23), ele e seu adversário Lula (PT) se confrontaram pela última vez antes do segundo turno presidencial.
Licença-maternidade
Único deputado estadual do Rio de Janeiro a votar contra a ampliação da licença-maternidade para servidoras públicos do estado, em 2009, Flávio disse hoje que errou. “Na época, eu votei acreditando que isso poderia dificultar que as mulheres conseguissem arrumar emprego. Eu estava errado. Hoje, depois que eu casei, depois que eu tenho duas filhas, mais do que nunca, eu sei da importância da mãe estar perto do filho. Até mais de 180 dias, se possível. Eu, hoje, votaria completamente diferente”, afirmou.
No debate da Band, no domingo passado, ele se esquivou da pergunta de Lula. Agora, questionado novamente pelo candidato à reeleição, Flávio respondeu. Em 2009, o então deputado estadual argumentou que empregadores poderiam preferir contratar homens ou mulheres mais velhas para evitar os custos de uma licença prolongada.
Tarifa zero
Após ironizar a proposta de Lula para implementar a tarifa zero no transporte público aos fins de semana, Flávio afirmou hoje no debate que aprova a medida. “Sou a favor da tarifa zero para os ônibus nos finais de semana. Sou super a favor disso. Acho que o trabalhador merece sim ter o transporte gratuito”, disse.
Na semana passada, a opinião do senador era diferente.”Ele [Lula] tá prometendo tudo que ele não vai entregar. Agora ele perdeu a linha de novo, tá prometendo ônibus de graça que não vai entregar também. Será que tem gente que acredita nisso?”.
O candidato do PL chamou a proposta de “mirabolante”. “Hoje o Lula prometeu que vai dar ônibus de graça aí, né? E agora a gente descobriu por que é que a picanha ainda não chegou. Porque a picanha tá vindo de ônibus”, acrescentou durante live em seu canal após o anúncio de Lula.
Reajuste dos aposentados e tesouraço
O senador afirmou no debate que, se eleito, vai corrigir a aposentadoria acima da inflação. Ao ser questionado por Lula, Flávio negou o que foi disseminado por sua equipe econômica, de que haveria cortes em áreas como a previdência. Reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que a equipe econômica de Flávio considerava mudar a correção da previdência, da saúde e da educação para conseguir R$ 250 bilhões. Após a repercussão negativa, a campanha do senador voltou atrás e negou qualquer corte nessas áreas.
Questionado sobre o tesouraço que tem prometido, ele afirmou que a medida será na “corrupção do atual governo”. Uma estimativa do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) aponta que o tesouraço defendido por Flávio pode eliminar aproximadamente 2,2 milhões de postos de trabalho e provocar um impacto negativo equivalente a 1,55% do PIB.
Pedido de desculpas
Flávio também pediu desculpas após zombar de Lula por ter nove dedos. O presidente exigiu do senador um pedido de perdão no bloco seguinte do debate —o petista perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em um acidente de trabalho quando era torneiro mecânico.
“Você dá com uma mão e tira com nove dedos”, afirmou Flávio, ao responder sobre a proposta do presidente de implementar tarifa zero no transporte público aos fins de semana. “Se tem alguém que perdeu o dedo com 17 anos, fui eu. Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos, não vou permitir! Você vai ter que pedir desculpa. Porque o povo trabalhador tá vendo”, disse Lula.
“Lula, se eu te ofendi, eu te peço desculpa de verdade. Não queria te ofender. Peço desculpa de verdade”, respondeu Flávio. Apesar do pedido público, o perfil oficial do PL no Instagram publicou a frase: “Você dá com uma mão e tira com nove dedos”, e a publicação foi curtida pela conta oficial do candidato.

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