Governo Milei confirma fuga de Flávio Bolsonaro pela Argentina

Movimentos pouco frequentes no aeroporto foram noticiados pelos canais de TV Todo Noticias e C5N, que enviaram repórteres ao local.

Uma van com placa do Brasil chegou por volta das 23h ao aeroporto e entrou diretamente na pista, custodiada por um carro da Polícia de Segurança Aeroportuária (PSA) da Argentina. O motorista da van foi abordado pelos jornalistas argentinos e consultado sobre a presença de Flávio Bolsonaro no local. Nervoso, o motorista não respondeu e foi embora. A van era da empresa Dallas Turismo, de Foz do Iguaçu.

O canal C5N assegurou que Flávio Bolsonaro e sua família atravessaram por terra a fronteira, vindos de Foz do Iguaçu, na noite de ontem, pouco mais de uma hora antes de o avião decolar, às 0h22. Tudo foi confirmado horas depois pelo governo do presidente argentino, Javier Milei.

A aeronave, um Gulfstream G400 com matrícula argentina LV-JQW, pertencente à empresa Baires Fly S.A., havia chegado a Puerto Iguazú na noite de segunda-feira, vindo do Aeroparque Jorge Newbery, em Buenos Aires, e sua partida para os Estados Unidos estava inicialmente prevista para a noite de terça-feira. Mas algo aconteceu e houve uma longa demora.

Durante todo esse período, Flávio Bolsonaro permaneceu em território brasileiro, atravessando a fronteira somente quando tudo estava pronto para a decolagem.

Na manhã de terça, quando a notícia sobre um plano de fuga começou a circular, o estrategista-chefe do governo Milei, Santiago Caputo, publicou em sua conta na rede X uma foto do filme “O Grande Truque”, sem escrever nada. Nesta madrugada, ficou claro que o truque foi distrair a imprensa durante todo o dia por meio de informações extraoficiais, enquanto Flávio Bolsonaro continuava em território brasileiro.

O envolvimento do governo Milei na fuga do senador é um fato que aprofundará ainda mais a crise bilateral entre os governos do Brasil e da Argentina.

A crise se iniciou no final de julho, quando Milei foi o convidado estrela do evento de lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro, em São Paulo, e chamou o presidente Lula de “o presidiário”.

A ação do presidente argentino de ajudar a planejar a fuga do senador Bolsonaro é algo sem precedentes na história dos dois países, com consequências ainda incertas.

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