Trump e assessores ajudaram Flávio a fugir do Brasil, diz NYT

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e assessores do governo norte-americano ajudaram o senador Flávio Bolsonaro (PL) a fugir do Brasil, segundo o jornal The New York Times.

O jato em que Flávio voou da Argentina para Miami, com escala no Equador, teria sido providenciado por Jason Miller, conselheiro de Trump e estrategista de comunicação das campanhas do republicano. De acordo com a reportagem, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), que vive nos EUA, estava em contato com Miller.

Segundo autoridades americanas ouvidas pelo jornal, Trump garantiu que Flávio pudesse entrar no país. O senador teria apresentado o passaporte diplomático brasileiro, que já havia sido cancelado pela Polícia Federal na segunda-feira, por ordem do ministro do STF Alexandre de Moraes.

Um funcionário do governo americano ouvido pelo NYT sob anonimato disse que Flávio deve solicitar um green card, que concede status de residência permanente nos Estados Unidos. Eduardo Bolsonaro obteve o documento em julho. O processo leva anos para a maioria dos imigrantes, mas o do ex-deputado foi aprovado rapidamente, segundo a fonte.

A reportagem diz que Flávio enfrenta múltiplas investigações criminais, “está na Flórida com um visto de imigração temporário concedido por ordem do presidente Trump e provavelmente terá sua residência permanente assegurada posteriormente.”

Responsável por providenciar o avião para Flávio, Jason Miller foi detido e interrogado pela PF no Aeroporto de Brasília, em setembro de 2021, no âmbito de inquéritos que tramitam no STF para apurar o financiamento de atos antidemocráticos. Na ocasião, ele havia participado de reuniões com Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro.

Como mostrou a colunista do UOL Mariana Sanches, agentes do governo de Donald Trump entraram em campo ontem após Flávio divulgar a carta golpista em que se autodeclarou presidente eleito do Brasil. Os emissários, ligados ao Departamento de Estado, pediram a alteração e avisaram que o termo poderia ferir os interesses diplomáticos dos EUA com o Brasil. Em seguida, o senador publicou uma nova versão do texto dizendo ser o “líder do Brasil”.

Trump evitou comentar o texto, mas tem questionado o resultado das eleições brasileiras. “Não vou fazer comentário sobre isso, mas eu sei que demos a ele uma autorização para entrar no país. Mas eu não vou me envolver. Foi uma eleição muito estranha, isso é certo”, disse ontem, quando foi questionado sobre Flávio ter dito ser “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Hoje, Trump disse que vai falar com o presidente Lula sobre a eleição e chamou o processo eleitoral brasileiro de “desgraça”.

Flávio desembarcou nos Estados Unidos com a família ontem (28), após fugir do Brasil, enquanto é alvo de três investigações da PF. Foi no âmbito de um desses inquéritos que Alexandre de Moraes determinou, no domingo, a apreensão dos passaportes do senador. A decisão foi tomada em resposta a um pedido da PF, que apontou “risco concreto” de fuga.

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