O mês de outubro teve como destaques nos mercados internacionais de commodities agrícolas o açúcar, o trigo e o milho. O primeiro subiu mais de 3% no mês na bolsa de Nova York, sustentado pela perspectiva da déficit na disponibilidade global na safra 2026/27, por causa do fenômeno El Niño. Os dois cereais, por sua vez, caíram mais de 8% na bolsa de Chicago em outubro, com a pressão da oferta.
Mauricio Muruci, analista da Safras & Mercado, disse que, em decorrência do El Niño, os cortes na produção dos principais produtores globais de açúcar, como o Brasil, continuam. “No Centro-Sul do Brasil, o fenômeno já provocou chuvas fortes que atrasaram a colheita, e a previsão é de que esse excesso de umidade continue na região”, observou.
A Índia, segundo maior produtor de açúcar do mundo, enfrenta seca e altas temperaturas por causa do fenômeno climático.
A Safras projeta um déficit global de açúcar na ordem de 5 milhões de toneladas em 2026/27. Conforme o Valor Data, os contratos de açúcar de segunda posição avançaram 3,4% em outubro, para 19,55 centavos de dólar a libra-peso, na média.
Ainda na bolsa de Nova York, o café arábica subiu 1,4%, para um valor médio de US$ 2,8752 a libra-peso. A alta foi reflexo, em parte, de fatores técnicos, já que o mercado mantém uma expectativa positiva para a produção no Brasil em 2027/28 após o surgimento das primeiras floradas.
Na mesma bolsa, o suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) recuou 3,4%, no mês, para uma média de US$ 1,4610 a libra-peso. Os fundamentos no mercado de suco de laranja têm registrado poucas mudanças nos últimos meses. A oferta está equilibrada, enquanto o consumo não mostra sinais de reação em mercados importantes, como Estados Unidos e Europa.
O algodão fechou o mês em baixa de 2,6% em Nova York, com média de 82,41 centavos de dólar a libra-peso. Pery Pedro, consultor independente de mercado, disse que a queda ainda reflete um ritmo de crescimento menor da economia. Ele lembrou que com uma renda menor, a população tende a reduzir a demanda por itens de vestuário.
O cacau, que vinha com forte volatilidade nos últimos meses, terminou outubro com recuo de 1,8%, a US$ 5.759 a tonelada.
Bolsa de Chicago
Na bolsa de Chicago, o milho teve uma queda de 9,1% na comparação mensal, para uma média de US$ 4,9035 o bushel.
Com a colheita do cereal em andamento nos Estados Unidos, a percepção de oferta aumentou, o que derrubou as cotações. Em outubro, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) estimou a produção de milho no país em 407,28 milhões de toneladas, abaixo das 430,90 milhões colhidas em 2025/26. “Embora a safra [2026/27] seja menor este ciclo, ainda é um número relevante”, disse Luiz Fernando Roque, coordenador de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets.
No caso do trigo, os futuros tiveram queda de 8,7%, para uma média de US$ 6,6965 o bushel. Para Roque, a correlação com o milho explica parte da queda. Os cereais costumam ter flutuações semelhantes, uma vez que o trigo, assim como o milho, também pode ser matéria-prima da indústria de ração animal. Além disso, houve reposicionamento dos investidores, que vinham apostando em preços mais altos em agosto e setembro, após o recrudescimento da guerra entre Rússia e Ucrânia. O conflito praticamente paralisou os exportações agrícolas pelos portos do Mar Negro.
“Lá atrás o mercado exagerou na alta e agora veio essa correção, que tirou boa parte do prêmio de guerra nos preços em outubro. Não porque os portos estejam funcionando plenamente, mas sim por soluções adotadas pelos dois países para garantir minimamente o escoamento de grãos pelo Mar Negro”, justificou.
A soja, por sua vez, caiu também pressionada pelo andamento da colheita nos EUA. Os futuros da oleaginosa fecharam o mês em queda de 3,1%, para US$ 12,8077 o bushel na média.

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