A possibilidade de Michelle Bolsonaro deixar o PL para se filiar ao Republicanos existe, mas não há uma negociação em andamento para concretizar a mudança. É o que afirmam pessoas próximas à senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que negam que a parlamentar esteja articulando a saída da ex-primeira-dama do partido comandado por Valdemar Costa Neto.
Segundo apuração de O Antagonista, fontes ligadas à senadora avaliam que a notícia sobre uma suposta articulação pode ter sido disseminada por integrantes do próprio PL que não mantêm boa relação com Michelle. O argumento é que há resistências internas à ex-primeira-dama, especialmente entre uma ala mais radical da legenda.
“Tem uma turma do PL que é um pouco mais radical e que meio que não se dá muito com ela. Isso seria um facilitador para uma eventual saída. (…) Se isso acontecer, acho que não vai ser por agora. Se acontecer, vai ser um pouco mais para a frente, depois da posse, depois de passado todo esse processo. Quem deve estar soltando isso na imprensa é quem quer que isso aconteça. Com certeza”, afirmou uma fonte próxima à senadora.
A avaliação é que uma eventual mudança de partido, caso ocorra, ficaria para um momento posterior à posse dos eleitos e à conclusão do atual processo político. A reunião recente entre Michelle e Valdemar também é mencionada pela fonte como um elemento que não permite tratar a saída como uma decisão tomada.
A especulação ganhou força nesta terça-feira, 3, após informação publicada pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo, de que Damares estaria trabalhando para levar Michelle ao Republicanos. A reportagem apontava o descontentamento da ex-primeira-dama com os filhos de Jair Bolsonaro e com a condução do PL por Valdemar.
Em publicação no X na manhã desta terça-feira, o deputado federal Bibo Nunes (PL-RS) também comentou a possibilidade de mudança.
“Republicanos está assediando Michelle Bolsonaro para trocar de partido. Não acredito que ela faça isso. A história dela foi construída com Bolsonaro e o PL”, escreveu.
A discussão sobre o futuro partidário de Michelle ocorre após uma sequência de atritos com o senador e ex-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que disputou a Presidência da República em 2026.
Em junho, a ex-primeira-dama expôs publicamente um desentendimento com o enteado. A divergência começou durante as articulações do PL no Ceará, quando Flávio apoiou uma aproximação com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB), enquanto Michelle defendia o nome de Eduardo Girão (Novo) para a disputa estadual.
Em vídeos publicados nas redes sociais em 24 de junho, Michelle afirmou que Flávio havia sido ríspido e a desrespeitado durante uma ligação telefônica. Segundo ela, o senador teria dito que seria melhor que ela ficasse fora das decisões partidárias porque não entendia de política.
“Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone”, declarou.
Flávio respondeu às acusações e pediu desculpas publicamente. Disse que não teve a intenção de ofender a madrasta e manifestou respeito pelo trabalho dela à frente do PL Mulher.
O episódio teve consequências para a atuação política da ex-primeira-dama. Em 30 de junho, Michelle deixou a presidência do PL Mulher após uma conversa com Valdemar. Na ocasião, afirmou que pretendia se dedicar integralmente aos cuidados com o marido e a filha.
A crise também a levou a cogitar desistir da candidatura ao Senado pelo Distrito Federal. Segundo relatos de aliados publicados à época, Michelle estava desanimada com a possibilidade de disputar as eleições e preocupada com os conflitos internos do partido. Posteriormente, porém, sua assessoria negou que ela tivesse desistido da candidatura.
Em agosto, Michelle afirmou que havia colocado uma pedra sobre o desentendimento com Flávio após gravar uma propaganda ao lado do senador. A reconciliação pública, contudo, não apagou o histórico de divergências envolvendo seu espaço político e a participação dos integrantes da família Bolsonaro nas decisões do PL.
A assessoria de Michelle Bolsonaro foi procurada por O Antagonista para comentar a possibilidade de mudança de partido, mas não havia se manifestado até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação.

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