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De repente, a corrupção foi jogada no ventilador como uma farofa feita com farinhas de um mesmo saco suprapartidário. Políticos encrencados incomodaram-se com acenos que vinham do Supremo. Cogitava-se restringir o privilégio do foro.
Em abril de 2017, num movimento cenográfico, o Senado aprovou em votação simbólica projeto que acabou com o foro privilegiado para 35 mil autoridades. Excetuando-se os presidentes de Poderes, todos perderiam o privilégio de ser investigados e processados na Suprema Corte.
O então senador Romero Jucá, líder de todos os governos desde a chegada das caravelas portuguesas, definira a iniciativa meses antes da aprovação: “Se acabar o foro, é para todo mundo. Suruba é suruba. Aí é todo mundo na suruba, não uma suruba selecionada.”
Nessa época, políticos pendurados nas manchetes de ponta-cabeça tinham horror à primeira instância. A voz de Jucá havia soado em conversa vadia captada pelo grampo de um delator. Defendia um grande acordo nacional para abafar investigações. Um acordo “com o Supremo, com tudo.”
O passar do tempo e as perversões da Lava Jato fizeram do Apocalipse uma antiapoteose. Hoje, corruptos de todas as ideologias enxergam o Supremo como um armazém de secos & molhados. Fornece material para o conserto de rachadonas e rachadinhas. Anula provas, cancela sentenças, restaura biografias, reduz multas…
Simultaneamente, o Supremo serve à gangue do golpe o pão que o Tinhoso amassou. Na contramão de Jucá, Bolsonaro e os golpistas do alto-comando ambicionam um novo grande acordo. Com a anistia, com primeira instância, com tudo.
Na sua versão cenográfica, o fim do foro privilegiado para 35 mil autoridades passou no Senado, há oito anos, em votação simbólica. Não houve contestações. Estava entendido que a proposta seria retida na Câmara. Ressurge agora, reformatada com o propósito de beneficiar Bolsonaro.
Em 2018, impulsionado por um lavajatismo que transformou o antipetismo na maior força política do país, Bolsonaro retirou a direita do armário. Desmoralizou-a durante os quatro anos de sua Presidência. Hoje, reduzido à condição de réu inelegível, o capitão rala para reorganizar a suruba.

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