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Segundo Jeferson, a homenagem foi feita sem sua autorização e sem o conhecimento de sua equipe.
“Quem fez a indicação da homenagem foi do filho, que homenageou o pai dele, ok? No dia 2 de março, nós entregamos as moções numa festa com mais de cinco mil pessoas”, afirmou o vereador, justificando que a ação passou despercebida no momento.
A homenagem veio à tona durante as articulações para a eleição na Mesa Diretora, no fim do ano passado. O assunto voltou a ser debatido neste ano, após a morte de Gilmarzinho em confronto com a polícia. Na esteira desses acontecimentos, veio a público que Jeferson deu empreo ao filho do faccionado.
O vereador explicou em entrevista concedida na manhã desta terça-feira (1) que, ao perceber a repercussão negativa do caso, decidiu exonerar o assessor, no ano passado. O desligamento não foi pelo fato de ele ser filho de um faccionado.
“Sentamos com o grupo e entendemos que [a homenagem supostamente feita pelo filho ao pai por meio do mandato de Jeferson] trouxe uma imagem negativa para o gabinete. Então, decidimos exonerar. Não porque ele é criminoso ou filho de um criminoso, mas porque a atitude dele refletiu negativamente”, declarou.
Jeferson também criticou a repercussão do caso, afirmando que houve um uso político do episódio para atacá-lo. “Foi dada uma ênfase tão grande para tentar me desqualificar e vincular meu nome a essa situação”, disse.
O caso
Gilmarzinho foi um dos alvos da Operação Aqua Ilícita, deflagrada em março, pela Polícia Civil e o Grupo de Atuação de Combate ao Crime Organizado (GCCO).
A operação revelou uma organização criminosa envolvida com extorsão, lavagem de dinheiro e controle econômico dos comerciantes de água mineral, prática que afetava consumidores e empresários de Mato Grosso.
Gilmarzinho, que já foi preso anteriormente por tráfico de drogas, estava entre os líderes da facção, atuando no controle de atividades ilícitas no bairro onde morava.
Levantamento realizado pelo Olhar Direto revelou que o filho de Gilmarzinho trabalhou por cerca de nove meses no gabinete do vereador. O jovem atuou como assessor parlamentar externo, com um salário de R$ 2.250.
Sua nomeação foi publicada na Gazeta Municipal em 14 de fevereiro de 2024, com validade a partir do dia 9 do mesmo mês. Já sua exoneração foi oficializada em 19 de novembro, passando a valer a partir do dia 11, totalizando aproximadamente nove meses de atuação ao lado de Jeferson.

Jeferson admite ter dado cargo a filho de líder de facção e o culpa por homenagem feita a criminoso
O vereador Jeferson Siqueira (PSD) afirmou que a moção de aplausos concedida a Gilmar Machado da Costa, conhecido como Gilmarzinho, morto em confronto com a polícia, foi incluída na lista de homenageados pelo próprio filho do criminoso, que atuava como assessor parlamentar em seu gabinete.
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