Operação prende 21 suspeitos e mira facção em expansão em Sorriso

A Polícia Civil prendeu 21 suspeitos ligados a uma facção criminosa que atuava na expansão do tráfico de drogas em Sorriso e região, durante a Operação Yang, deflagrada nesta quinta-feira (3). A ação busca impedir o avanço da organização criminosa que se aproveitou do vácuo deixado pela queda de um grupo rival desarticulado em 2023.

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Operação mira em grupo que tenta aproveitar do vácuo deixado pela queda de um grupo rival desarticulado em 2023 em Sorriso e região. (Foto: PJC-MT)

Ao todo, foram cumpridas 27 ordens judiciais, sendo 21 mandados de prisão preventiva, três de busca e apreensão domiciliar, além de quebras de sigilo bancário e telemático, autorizadas pela 5ª Vara Criminal de Sinop.

A operação é resultado de um trabalho investigativo conduzido desde 2024 pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), com apoio da DRACO, delegacias de Sorriso e Cáceres, e unidades especializadas de Pará, Maranhão, Paraná e São Paulo.

Facção altamente estruturada

As investigações revelaram que o grupo alvo da operação possuía estrutura hierárquica definida, com funções específicas para cada integrante. Cargos como “Geral do Estado”, “Coringa Geral”, “Disciplina”, “Missionário”, entre outros, demonstram a sofisticação e divisão de tarefas dentro da facção. Cada função estava ligada a atividades operacionais ou de controle interno, inclusive com punições disciplinares para membros que descumprissem ordens.

De acordo com a Polícia Civil, a organização utilizava um sistema de controle interno conhecido como “Tabuleiro de Numerada”, uma espécie de cadastro com nomes, apelidos, localizações e aplicativos usados pelos integrantes. O objetivo era garantir gestão e atualização constante dos membros e de suas funções.

Crimes graves e tentativa de domínio territorial

A atuação da facção incluía tráfico de drogas, homicídios, sequestros, intimidação de rivais e lavagem de dinheiro. As provas reunidas ao longo das investigações apontam que os criminosos tratavam com frequência da execução de inimigos (chamados de “lixos”), aquisição de armas, planejamento de ataques e até mesmo da divulgação de vídeos com cadáveres, usados como forma de exaltação e ameaça.

Com a desarticulação da facção anterior, alvo da Operação Recovery em 2023, o grupo investigado viu a oportunidade de ocupar o vácuo deixado no submundo do crime da região de Sorriso. Foi a partir desse cenário que a facção intensificou sua presença, expandindo atividades e recrutando novos membros para fortalecer sua base territorial.

Reação firme do Estado

O delegado da GCCO, Antenor Pimentel, reforçou que a operação é um movimento estratégico do Estado para conter o avanço de organizações criminosas no interior de Mato Grosso. “Agora, com a operação, buscamos agregar novas penas aos faccionados, prolongando seu tempo de encarceramento e garantindo que a tranquilidade conquistada seja mantida”, afirmou. Ele destacou ainda que o trabalho coordenado das forças de segurança já havia reduzido os índices criminais na região, especialmente durante o auge da guerra entre facções.

“O Estado não será desafiado, e quem tentar ocupar esse espaço com violência encontrará resposta à altura”, completou o delegado.

A Operação Yang representa mais uma etapa no esforço de desarticulação das facções criminosas em Mato Grosso, demonstrando a capacidade de resposta rápida e articulada das forças de segurança estaduais em cooperação com órgãos de outros estados.

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