Mauro manda SESP apurar vazamento de relatório sigiloso que baseou denúncia sobre emendas

O governador Mauro Mendes (União Brasil) determinou à Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) que apure, com urgência, o vazamento de um relatório sigiloso da Polícia Civil que embasou uma reportagem do portal UOL, apontando supostas irregularidades na destinação de emendas parlamentares em Mato Grosso.

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A decisão do chefe do Executivo estadual foi tomada nesta quinta-feira (26), logo após receber ofício do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi (PSB), solicitando providências. Mendes encaminhou o documento diretamente ao secretário de Segurança, coronel César Roveri, com anotação manuscrita determinando “providência urgente” para identificar a origem do vazamento.
O ofício, assinado por Russi e outros parlamentares, pede apuração rigorosa sobre a divulgação do Relatório Final nº 2025.7.55631, produzido pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), da Polícia Judiciária Civil. O documento, segundo o presidente da ALMT, possui caráter sigiloso e ainda está sob análise do Ministério Público e do Judiciário, o que impediria sua divulgação em meios de comunicação.
“A circulação indevida desse material compromete o devido processo legal, o direito à ampla defesa e o equilíbrio institucional entre os Poderes”, afirma o texto enviado ao Palácio Paiaguás. Para os parlamentares, o caso coloca em risco a credibilidade das investigações e pode configurar violação a normas legais relativas à proteção de informações sob sigilo.
Na quarta-feira (25), durante reunião com o controlador-geral do Estado, Paulo Farias, Max Russi e o deputado Carlos Avallone (PSDB) cobraram uma investigação sobre como o relatório sigiloso foi parar nas mãos da imprensa. A reportagem publicada pelo UOL cita 14 deputados estaduais, além de um prefeito e um secretário de Estado, como alvos de investigação por supostos desvios de recursos destinados por emendas durante o período eleitoral.
O conteúdo, segundo a reportagem, teria como base um relatório da Controladoria-Geral do Estado (CGE), o que foi negado pelo próprio controlador Paulo Farias. “A CGE não investiga parlamentares. Nosso trabalho se concentrou na análise da relação entre a Secretaria de Agricultura Familiar (Seaf) e a organização da sociedade civil contratada, a Pronatur. Em nenhum momento identificamos emendas, valores ou autores”, afirmou.
Max Russi também rechaçou o conteúdo divulgado, alegando que foram atribuídas à CGE informações que não constam nos relatórios oficiais. “Isso parece um roteiro de filme: pegam um relatório sob segredo de Justiça, misturam com informações atribuídas à CGE que não constam nos documentos, e soltam para a mídia nacional como se fosse verdade”, criticou. “Isso destrói histórias, reputações, e ninguém tem oportunidade de se defender.”
O deputado Carlos Avallone, um dos principais citados na matéria, afirmou que nunca destinou R$ 10 milhões em emendas para aquisição de 25 mil kits de ferramentas agrícolas, como noticiado. Ele chamou a acusação de caluniosa e disse que o conteúdo da reportagem não condiz com os registros oficiais do sistema Fiplan, que controla a execução orçamentária do Estado.
“É gravíssimo que um relatório que corre em segredo de Justiça esteja sendo usado para propagar informações mentirosas, que atingem minha imagem e de outros deputados”, afirmou. “Quero que o governador determine à Deccor que investigue como esse documento foi parar na imprensa.”

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