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O presidente Lula (PT) afirmou hoje que o Mercosul precisa direcionar o olhar para os países da Ásia, que chamou de “centro dinâmico da economia mundial”. A fala ocorreu logo após o presidente da Argentina, Javier Milei, criticar o bloco.
O que aconteceu
Lula disse que o Brasil se aproximará de países asiáticos. “Nossa participação nas cadeias globais de valor se beneficiará de maior aproximação com Japão, China, Coreia, Índia, Vietnã e Indonésia”, disse ele durante o discurso.
Milei, por sua vez, começou o discurso afirmando que o Mercosul não cumpriu seus objetivos. “Buscamos colocar fim a uma inércia destrutiva. Propusemos que como bloco nos movimentemos como um esquema comercial e regulatório mais livre no lugar de uma cortina de ferro a qual estamos submetidos, em que cada país possa gozar de maior autonomia”, afirmou.
Lula recebe a presidência temporária do bloco das mãos de Milei. A Cúpula do Mercosul, que vai até amanhã, em Buenos Aires, marca a primeira viagem de Lula à Argentina sob o comando do ultraliberal.
A diplomacia de ambos os países trabalha para que a faísca política entre Lula e Milei não interfira nos acordos comerciais do Mercosul. Nos bastidores, tem minimizado a polarização atual no bloco sul-americano.
Expectativa pela visita de Lula a Cristina
A reunião do Mercosul também tem causado expectativa em Buenos Aires sobre uma provável visita de Lula à ex-presidente Cristina Kirchner, que cumpre prisão domiciliar por corrupção. A Justiça argentina autorizou ontem a visita, e a assessoria do governo confirmou que o presidente estará com Cristina hoje, após a reunião do Mercosul, à tarde.
Lula chegou na noite de ontem e volta ao Brasil ainda hoje, após a reunião do bloco. O presidente foi recebido por dezenas de militantes e apoiadores brasileiros e argentinos, na porta da hospedagem oficial da embaixada brasileira, em Buenos Aires, onde está hospedado.
Argentina otimista com flexibilização comercial
Anfitriã do encontro, a Argentina está otimista. Entre as fontes da chancelaria do país vizinho, a expectativa é que seja uma “cúpula cordial” e “produtiva”, com avanço sobre o que interessa, principalmente à Argentina: a flexibilização comercial do bloco.
O encontro dos chefes de Estado do Mercosul hoje deve coroar oficialmente as tratativas iniciadas em abril sobre a ampliação da lista de exceções dos produtos submetidos à Tarifa Externa Comum do Mercosul.
A medida é vista como fundamental para que a Argentina possa se aproximar cada vez mais do tão almejado acordo comercial global com os Estados Unidos, cujo presidente, Donald Trump, é aliado político de Milei. “Devemos ter essa resolução assinada”, adiantou na semana passada a embaixadora brasileira Gisela Padovan, da Secretaria para América Latina e Caribe do Itamaraty.
Em abril, os chanceleres assinaram um acordo que aumentará a lista de produtos que podem ser negociados fora da taxa comum do Mercosul. Na prática, cada país terá mais 50 categorias de produtos nos quais poderá aplicar uma tarifa própria, geralmente mais branda, em vez da taxa comum do bloco.
A flexibilização será provisória, variando entre 2028 e 2030, dependendo do país-membro. A redução da tarifa só será aplicada se as exportações de um determinado produto de um país para os demais países do bloco representam menos de 20% do total das exportações desse mesmo produto nos últimos três anos.
O acordo foi considerado uma “concessão do governo brasileiro a um pedido da Argentina, que deriva um pouco da situação global, da questão tarifária, do comércio internacional”, disse Padovan.

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