Fibe: Deputados praticam violência política de gênero e raça contra Marina

Ao ser atacada em sessão na Câmara, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, sofreu dos deputados violência política de gênero e raça, afirmou a colunista Cris Fibe no UOL News, do Canal UOL.

Tem essa camada a mais dessa vez, que é a falta de argumento para discutir o tema. Eles estão claramente querendo refutar os argumentos que a ministra do Meio Ambiente está dando para defender a queda do desmatamento, as nossas áreas naturais. Aí eles, na falta de argumentos, descredibilizam a mensageira, e como ela disse, é uma violência política de gênero e de raça.

Então é muito fácil para esses deputados, inclusive porque a misoginia, esse ódio, o racismo, eles dão votos impressionantemente no Brasil, a misoginia, o ódio às mulheres e as mulheres pretas dão votos.
Cris Fibe

Esta foi a segunda vez em que Marina Silva passou por esse tipo de situação. No último mês de maio, após ser atacada, a ministra deixou a audiência pública no Senado após discussões com parlamentares da oposição.

Desta vez, a sessão foi menos conturbada do que a no Senado, mas nem por isso a paz imperou o tempo todo. A ministra defendia sua gestão de forma veemente quando o deputado Cabo Gilberto pediu calma. Ela ficou contrariada e reclamou de machismo.

Impressiona a reincidência, porque em maio, quando isso aconteceu com a ministra, deu grande repercussão. A imprensa toda falou, deu repercussão nas redes sociais, ficamos todos chocados, inclusive com a falta de reação dos parlamentares diante do que estava acontecendo, a ministra deixou a sessão, foi um escândalo nacional.

A sensação de impunidade é tanta que eles repetiram a cena com outras palavras, estão dizendo a mesma coisa, é o cale-se, é silêncio, é show, é o coloque-se no seu lugar, como foi dito expressamente da primeira vez.

E continuam querendo que a ministra se coloque num lugar que eles acham que é um lugar adequado para as mulheres, que é um lugar de silenciamento, de recolhimento ao lar, não de poder político, de articulação política, e muito menos uma ambientalista que está lá cheia de argumentos que eles não conseguem refutar.
Cris Fibe

A colunista do UOL concluiu afirmando que é preciso ter consequências e maior coibição diante desses tipos de atos contra as mulheres.

Esses caras repetem essa atitude que aconteceu há pouco mais de um mês sem nenhuma consequência, a consequência sempre para vítima, a consequência é agora a ministra precisando lidar com esse trauma, com essa violência para as próximas vezes em que ela for falar na Câmara ou no Senado sabendo que vai ser alvo de ataques, é um absurdo.

Eles sem sofrer consequência nenhuma, precisa haver consequência, isso precisa ser coibido, se não ela ou outra ministra ou outra depoente mulher e mulher preta vai voltar lá e vai ser atacada outra vez e outra vez.

Quantas vezes mais a gente precisa assistir a esse show de misoginia até conseguir de fato coibir isso no Brasil, é lamentável esses caras são representantes do povo brasileiro, é isso que o povo brasileiro quer então, é isso que a gente está assinando embaixo, são esses os nossos representantes?
Cris Fibe

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