Lula morde e Gleisi assopra na negociação com Congresso

O novo tom adotado pelo PT se mostra mais provocativo do que o do governo, numa estratégia que busca separar as duas comunicações. Quando o Congresso reclama da retórica governamental, acusando o Palácio do Planalto de investir na polarização, alega-se que são escolhas do PT. . A estratégia, porém, não convence os críticos, que veem uma tentativa de o governo se beneficiar da radicalização do discurso sem assumir diretamente a responsabilidade pelas consequências políticas.

A reação do presidente da Câmara, Hugo Motta, foi imediata. Em um vídeo nas redes sociais, ele disse que “nós contra eles não ajuda ninguém”. Logo depois que o governo recorreu ao Supremo contra a decisão do Congresso de derrubar o aumento do IOF, Motta compareceu a um jantar na casa do empresário João Doria, acompanhado dos deputados Antônio Brito (PSD) e Elmar Nascimento (União Brasil).

Os dois disputaram a presidência da Câmara, mas foram preteridos pelo governo, que apoiou Motta, numa articulação costurada por Gleisi.

O apoio da bancada do PSD e de seu líder ao Planalto sofreu avarias depois disso. O partido, que chegou a dar 40 votos em outras votações, deu apenas 27 a favor da derrubada do decreto do IOF. “É uma conta direcionada a Gleisi. Para o bem ou para o mal, se der certo ou der errado, é na porta dela que estão batendo tanto de um lado quanto do outro”, completa a colunista do UOL.

Thais Bilenky enfatiza que o encontro na residência de Doria foi interpretado como um recado claro: “Estamos alinhados, estamos juntos. Se tiver enfrentamento com outros Poderes, este Poder aqui, o Legislativo, está alinhado”. O evento contou com a presença de 40 a 50 empresários e teve um ambiente pró-Tarcísio de Freitas.

Diante da reação, coube a Gleisi Hoffmann fazer o trabalho de apaziguamento. Ela e o líder do governo na Câmara, José Guimarães, saíram em defesa de Hugo Motta quando a militância começou a atacá-lo nas redes sociais. Como observa Bilenky, “numa tentativa de evitar esticar demais a corda e acabar rompendo”.

Segundo o próprio Haddad revelou em entrevista, o presidente da Câmara foi um dos deputados que mais frequentou o Ministério da Fazenda antes de assumir o comando da Casa, participando de diversos almoços quando ainda não ocupava posição de destaque. Essa proximidade inicial levou o ministro a acreditar que a eleição de Motta representaria um capital político favorável para a aprovação dos projetos governamentais. O cálculo, porém, se mostrou equivocado, concluiu o colunista José Roberto de Toledo.

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