Avallone é a favor de acareação entre controlador e delegada, mas diz que possibilidade esbarra no segredo de Justiça

O deputado estadual Carlos Avallone (PSDB) manifestou-se favorável a uma acareação entre o Controlador-Geral do Estado (CGE), Paulo Faria, e a delegada da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), Juliana Rado, para esclarecer possíveis contradições sobre o um relatório sigiloso que aponta suposto esquema na destinação de emendas parlamentares para compra de kits agrícolas envolvendo ao menos 14 deputados estaduais. 

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A acareação é um procedimento onde pessoas que prestaram depoimentos divergentes em um processo são confrontadas, frente a frente, para esclarecer as contradições.
As investigações da Deccor tiveram início a partir do relatório de auditoria da CGE, que apontou sobrepreço de até 80% do valor de mercado em termos de fomento que seriam usados para a compra de kits de agricultura familiar, no valor de R$ 28 milhões. 
Os deputados alegam que o relatório da CGE apresenta informações controversas e imprecisas, ao sugerir irregularidades em emendas individuais, quando na verdade se trataria de emendas de bancada, cuja responsabilidade, à época, caberia à antiga Mesa Diretora da ALMT. Há, ainda, divergências entre o conteúdo do relatório da CGE e os registros internos da própria Assembleia.
Citado na reportagem como autor de uma emenda de R$ 10 milhões, Avallone isentou a CGE a respeito de seu caso e disse que o órgão comprovou, na reunião desta terça na ALMT, que esse valor não consta no relatório da Controladoria e que a delegacia criou essa emenda em seu nome. 
Durante a reunião com deputados nesta manhã, o controlador-geral Paulo Farias foi enfático ao afirmar que os relatórios da Controladoria não trazem qualquer identificação de deputados.
Diante disso, Avallone foi questionado sobre a possibilidade de uma acareação entre  o controlador e a autoridade policial para esclarecimento. Ele se manifesta favorável, mas disse que colocar os dois frente a frente é uma possibilidade remota porque o inquérito corre em segredo de Justiça e, por isso, a delegada, mesmo sendo convocada, não pode falar. 
“Eu gostaria muito, sinceramente, que isso pudesse acontecer [acareação]. Eu gostaria de ver essa acareação, sem dúvida nenhuma, mas, certo, eu estou rindo, porque está em segredo de Justiça. Então, em segredo de Justiça, a Delegada não pode falar nada, ela não pode”, explicou na manhã desta quinta-feira (26), após a reunião entre deputados e o controlador na ALMT.   
“Tudo que nós estamos falando é de vazamento, não é dela, porque ela está impossibilitada de falar qualquer coisa, é em segredo de Justiça, ou derrubam o segredo de Justiça, ou a matéria vai continuar. Ela não pode falar, inclusive, se fizer a convocação dela aqui, ela só vai poder dizer, não posso responder, não posso responder”.

 

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