Jovem fala de dor e diz perdoar irmão que matou mãe em MS: “Ela perdoaria”

Thaysa Oruê dos Santos, irmã de Alfredo e filha de Michelly, mulher vítima de feminicídio em Glória de Dourados na última sexta-feira (4), gravou vídeo emocionada onde fala sobre a dor e sobre perdoar irmão. Michelly Rios Midon Oruê, de 47 anos, foi assassinada a facadas em casa. MS já soma 18 feminicídios em 2025.

Filha de Michelly fchora e fala sobre o sofrimento da família e perdão
Filha de Michelly falou sobre o sofrimento da família e perdão | (Divulgação, redes sociais)

Chorando, a jovem relatou o choque com a notícia da morte da mãe e falou sobre os problemas enfrentados na família com o impacto das drogas na vida do irmão.

“Quando eu soube, eu fiquei com muita raiva do meu irmão. Eu queria matar ele, xingar, falar, bater. Mas, quando deitei na cama da minha mãe, abracei a coberta dela, senti o cheiro dela, meu coração se acalmou na hora”, relatou Thaysa.

A partir desse momento, segundo ela, algo mudou. “Me veio uma vontade muito grande de encontrar meu irmão, mas para proteger ele dele mesmo.”

Thaysa afirmou que o irmão é diagnosticado com bipolaridade e já enfrentou diversos episódios graves relacionados ao uso de drogas e à saúde mental. 

Alfredo Henrique Oruê é principal suspeito de 18º feminicídio de MS (Foto: Thalyta Andrade)
Alfredo Henrique Oruê é principal suspeito de 18º feminicídio de MS (Foto: Thalyta Andrade)

“Morreria para protegê-lo”

Segundo Thaysa, sua mãe dedicava a vida a cuidar de Alfredo, inclusive mudando de cidade para tentar tirá-lo das drogas. “A minha mãe morreu tentando proteger ele. E ela sempre falou, sempre falou que se precisasse ela morria por ele”, disse.

Thaysa menciona o perdão, dizendo que a mãe o perdoaria e que foi ensinada desde pequena a perdoar. “Quando deitei na cama dela, eu escutei ela falando no meu ouvido: ‘Cuida do seu irmão. Perdoa o seu irmão. Não sinta raiva do seu irmão.’”

A jovem também pede respeito à dor da família nesse momento de sofrimento. “Minha mãe era uma pessoa alegre, que largava tudo pela gente. O que estão dizendo não é justo. Não sabem o que vivemos, não sabem o que aconteceu. A droga acabou com a minha família. Foi a droga que tirou minha mãe de mim”, finaliza.

12 mães foram mortas pelos filhos na última década em MS

De acordo com Painel de Monitoramento de Violência Contra a Mulher, disponibilizado pela Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), somente na última década, 12 mães foram mortas por quem colocaram no mundo.

O grau de parentesco fica atrás somente de cônjuge e ex-cônjuge. No Painel também aparecem namorados, irmãos, pais, sogros e cunhados. Contrariando o dito popular, inimigo não mora ao lado, ele vem de casa. Tanto que o local de ocorrência dos crimes é majoritariamente em “residência e similares”. Duzentas mulheres perderam a vida embaixo do próprio teto.

Das 350 mulheres vítimas de feminicídio nos últimos dez anos, 202 delas entre 30 e 59 anos. Mas idade também não impede que o crime aconteça. Oito crianças de 0 a 11 anos compõem as estatísticas neste mesmo período. Jovens, idosas e adolescentes vêm na sequência com 93, 26 e 12 mortes, respectivamente.

De lá para cá, 2022 foi o ano mais violento para mulheres em Mato Grosso do Sul com 44 feminicídios, seguido por 2020 com 40 e 2021 com 36. Outros 30 foram registrados em 2017, 2019 e 2023. Em 2025 o ranking já está em 17.

*Com Jéssica Benitez

Selo Basta
Basta, campanha contra violência doméstica e feminicídio do Primeira Página.

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