Emanuel apresenta denúncia contra Dilemário em CPI; vereador chama ex-prefeito de mentiroso e reitera indiciamento

A reta final do depoimento do ex-prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Estacionamento Rotativo, nesta segunda-feira (7), foi marcada por troca de acusações diretas entre ele e o vereador Dilemário Alencar (União), líder do prefeito Abilio Brunini (PL) na Câmara de Cuiabá.

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O clima de tensão dominou a sessão e impediu que a denúncia protocolada por Emanuel contra o parlamentar fosse lida em plenário.
Durante sua fala, Dilemário afirmou que o ex-prefeito “vendeu” um contrato de mais de R$ 650 milhões como vantajoso para a cidade, mas que, na prática, teria beneficiado exclusivamente a CS Mobi.
Ele também acusou Emanuel de improbidade administrativa por, segundo a CPI, ter vinculado de forma irregular recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) ao contrato.
“O senhor passou por cima da Câmara para garantir repasses de mais de R$ 8 milhões à empresa, e ainda tentou acabar com a isenção de idosos e pessoas com deficiência no estacionamento rotativo”, disparou o vereador.
A acusação levou o ex-prefeito a reagir com ataques. Emanuel acusou Dilemário de ter envolvimento em um escândalo da gestão Chico Galindo (PTB), relacionado à chamada “loira da previdência”, sem, no entanto, apresentar provas.
“O senhor era sócio oculto daquela mulher que quase derrubou o prefeito Galindo. Agora quer me acusar de ser sócio da CS Mobi?”, rebateu Emanuel, antes de ser interrompido pela vereadora Maysa Leão (Republicanos), que pediu o corte do microfone por desvio de pauta.
Ainda no plenário, Emanuel anunciou que protocolou uma denúncia contra Dilemário relacionada à época em que ele foi secretário de Agricultura na gestão Galindo, envolvendo justamente o Mercado Municipal Miguel Sutil, ponto central do contrato com a CS Mobi.
No entanto, a denúncia não foi lida durante a sessão. O vereador respondeu dizendo que dará prazo de 48 horas para que o ex-prefeito apresente provas das acusações, e o chamou de “mentiroso” e “descarado”.
A vereadora Maysa tentou encerrar os ânimos exaltados e reforçou que a CPI irá apresentar um relatório técnico, mesmo após os episódios de “baixaria”. Ela afirmou que a comissão já deliberou pelo encaminhamento do indiciamento de Emanuel por suposta irregularidade ao nomear o FPM como fundo garantidor da PPP, sem autorização do Legislativo.
“A requalificação do Centro foi vendida como total, mas é parcial. Vamos entregar à sociedade um relatório baseado em documentos e depoimentos”, garantiu.

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