Com Modi, Lula diz que não aceita reclamações de Trump contra Brics

O presidente Lula (PT) afirmou hoje que não aceita as ameaças do presidente norte-americano, Donald Trump, contra os Brics. Ele recebeu o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, em Brasília.

O que aconteceu

“Não aceitamos nenhuma reclamação contra a reunião do Brics”, disse Lula. “Não concordamos quando, ontem, o presidente dos Estados Unidos insinuou que vai taxar os países que negociarem com o Brics.”

As falas de Trump tomaram os debates na cúpula do bloco nesta semana. “Qualquer país que se alinhe com as políticas antiamericanas do Brics terá de pagar uma tarifa adicional de 10%. Não haverá exceções a essa política. Obrigado por sua atenção a esse assunto!”, afirmou Trump nas redes sociais, no domingo, pouco antes de a cúpula começar.

Lula voltou a exaltar o bloco e criticar a políticas protecionistas como a norte-americana. “Como membros do G20 e dos Brics, atuamos em mesa do multilateralismo e em prol de uma governança global mais inclusiva. O primeiro-ministro Modi afirmou corretamente, na cúpula do Brics, que é impossível rodar um software do século 21 em velhas máquinas de escrever do século 20”, disse Lula.

Lula já havia criticado as falas de Trump durante a cúpula, ontem. “Nós não queremos imperador, somos países soberanos. Se ele acha que ele pode taxar, os países têm direito de taxar também. Acho muito equivocado e irresponsável um presidente ficar ameaçando os outros em redes digitais”, disse Lula.

O bloco também se posicionou oficialmente contra tarifas unilaterais. “A proliferação de ações restritivas ao comércio, seja na forma de aumento indiscriminado de tarifas e de medidas não tarifárias, seja na forma de protecionismo sob o disfarce de objetivos ambientais, ameaça reduzir ainda mais o comércio global”, diz o documento.

Modi está no Brasil após o encontro do bloco no Rio de Janeiro nesta semana. A exemplo do que fez com o presidente chinês, Xi Jinping, após o G20 no ano passado, Lula aproveitou a cúpula internacional para convidar o indiano para Brasília e estreitar a relação. A Índia é o hoje o segundo maior mercado do mundo, com alto potencial de crescimento nas relações com o Brasil, segundo o governo.

“Dois países superlativos como a Índia e o Brasil não podem permanecer distantes”, afirmou Lula. Nesta tarde, eles assinaram seis acordos bilaterais nas áreas de ciência e tecnologia, agricultura e combate ao terrorismo internacional.

O comércio bilateral foi de US$ 12 bilhões em 2024, o que manteve a Índia como 10º maior parceiro comercial do Brasil. As exportações foram de US$ 5,26 bilhões (13º destino brasileiro), e as importações, de US$ 6,8 bilhões (sexta maior origem de importações).

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