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Os mais ousados — que acreditam ser bobagem essa conversa de retomada dos programas sociais, menor desigualdade da história e maior renda desde 2012, com a mais baixa taxa de desemprego da série histórica — até tentavam um certo olhar condescendente para Palmeira, onde não viam cantar um sabiá, e diziam: “É difícil para ele trabalhar porque o governo é muito ruim, não tem o que apresentar”. Em qualquer caso, viam um trabalho discreto etc.

Bem, eis que, de repente, aquele Sidônio teria virado o grande sacerdote das redes, organizando uma surra na extrema direita nesse episódio do embate com o Congresso. E olhem que tudo o que o governo fez, depois de ter sido atropelado por um PDL inconstitucional, posto em votação na calada da noite, foi recorrer ao Supremo.

Os mesmos e as mesmas — pesquisei e estou com os textos aqui — que viam um Sidônio inoperante pretendem agora que ele seja um gênio do mal. O que acho? Nem uma coisa nem outra. Para que se possa fazer uma comunicação institucional e política eficiente, é preciso que haja diretrizes claras sobre o que fazer. E há clareza do governo, no caso, sobre o caminho a seguir para pôr os números no arcabouço fiscal.

O resto, convenham, os barões do Congresso resolveram fazer por conta própria, na certeza de que as redes estão colonizadas e de que não haveria reação. Houve. Se vai ou não continuar, não sei. O que resta evidente é que as contas terão de ser ajustadas. Parece-me que a demanda para saber quem vai pagar o quê e quanto veio para ficar. Foi Sidônio a inventar um Congresso que se nega a debater as emendas e aumenta o número de deputados no mesmo dia em que derruba o IOF sob o pretexto de que o Brasil já cobra imposto demais? Cobra, mas de quem?

Se as e os analistas de que falo estavam certos antes e estão certos agora, vai ver Sidônio teve um “estalo de Vieira”, não é? Foi deitar sem saber nada das redes e acordou como o Grande Sacerdote da área. Organizou tudo em menos de 24 horas, adivinhando, inclusive, que Hugo Motta pautaria o PDL às 23h40 do dia 24 para ser votado no dia 25. No 26 de manhã, as redes já foram inundadas por suas “tramoias malignas”. Henry Jekyll virou Edward Hyde, assim, do nada! Se Stevenson estivesse vivo, iria procurar Sidônio para escrever “O Ministro e o Monstro”… Isso é ridículo.

O mínimo de decência impõe reconhecer que o Centrão decidiu votar de costas para os que já pagam muito e no interesse dos que não pagam quase nada. De resto, se os “marqueteiros” da direita estiverem certos, isso tudo ficou só na bolha. E qual a razão, então, do chororô?

Eis um tipo de jornalismo que busca investigar quem disse que o rei estava nu quando resta evidente, basta olhar, que o rei está nu.

Nota: Lula tem de vetar o aumento do número de deputados. É sua prerrogativa fazê-lo. E é prerrogativa do Congresso, se quiser, derrubar o veto. Já o fez outras vezes. Convenham: nesse caso, vale muito a perna ganhar perdendo.

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