Brasil a enviado dos EUA: 'Lamentamos que se aliem com quem tentou golpe'

A declaração foi dada após um pedido de esclarecimentos enviado por esta coluna, ainda na segunda, à diplomacia americana sobre uma postagem de Trump na Truth Social. Naquele dia, o líder da Casa Branca acusou o Brasil de perpetrar uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro e exortava as autoridades brasileiras: “Deixem-no em paz!”

Bolsonaro é réu em um processo por tentativa de abolição violenta do Estado de Direito, entre outros crimes. O relator do caso é o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, contra quem Washington estuda impor sanções.

Trump insiste que Bolsonaro é vítima de ‘caça às bruxas’, mas processo é legal

Trump voltou à carga em novo post na madrugada, e repetiu a expressão “caça às bruxas contra Bolsonaro” no fim da tarde de hoje, em uma carta em que anunciava tarifas de 50% contra produtos brasileiros. Bolsonaro foi uma das justificativas apresentadas por Trump para a medida econômica.

Segundo relato de diplomatas brasileiros, na conversa com Escobar, a embaixadora do Brasil rebateu com fatos o argumento de que Bolsonaro estaria sendo julgado sem o devido processo legal. Escorel apresentou as provas levantadas nas investigações da Polícia Federal, mostrou que os procedimentos de ampla defesa estão em curso no STF e ressaltou que o ex-presidente deve ser julgado até o fim deste ano.

A embaixadora ainda lembrou que era uma “prerrogativa do Brasil” seguir com seus ritos democráticos e processuais, e disse que o Brasil manifestava “surpresa” que Washington estivesse encampando o argumento de perseguição que tem sido defendido por bolsonaristas.

O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro e o comentarista político Paulo Figueiredo têm feito intenso trabalho em prol de sanções contra Moraes e apresentado argumentos de que Bolsonaro está sendo politicamente julgado. Trump é aliado deles há cerca de oito anos.

A medida de convocação de alto funcionário é uma das mais sérias na relação diplomática entre países para demonstrar insatisfação e preocupação de uma das partes. Escorel foi orientada pelo chanceler Mauro Vieira, que havia se reunido com o presidente Lula para discutir o que seria dito.

Poucas horas antes do encontro, o próprio Trump deu nova declaração contra o Brasil, dessa vez no tema de tarifas. Na Casa Branca, o presidente dos EUA disse que o Brasil “não tem sido bom pra gente”.

Questionada sobre o teor da reunião no Palácio do Itamaraty, a Embaixada dos EUA no Brasil afirmou em nota que “não divulga conteúdo de reuniões privadas”. Escobar é o mais alto funcionário americano no país, já que a administração Donald Trump ainda não escolheu um embaixador para Brasília.

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