Trump põe em risco empregos no Brasil e diz que é para ajudar Bolsonaro

Trump não baixou tarifas por causa de Bolsonaro, mas usa o ex-presidente como instrumento para justificar suas ações e forçar o Brasil a negociar. Daqui até agosto, esses 50% devem cair porque negociações vão rolar. Aço, etanol, açúcar, tem muita coisa de interesse dos EUA para entrar na mesa.

O que não vai mudar é o julgamento de Jair por tentativa de golpe. Caso consiga as concessões na área econômica e, eventualmente, alguma coisa sobre a regulação das plataformas digitais, o governo Trump vai reduzir o tarifaço. Claro que seria ótimo para o republicano ter um aliado subserviente de volta ao poder em Brasília, mas ele se dará por satisfeito se puder mostrar a determinados setores produtivos dos EUA que arrancou as tais concessões do Brasil protecionista.

Dois meses atrás, escrevi neste espaço que o bolsonarismo precisava tomar cuidado com o que desejava, pois corria o risco que isso se tornasse realidade.

O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro mudou-se para os EUA a fim de pressionar o Tio Sam a adotar sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, o Supremo Tribunal Federal e o Brasil no intuito de tentar mudar o curso do julgamento de seu pai. Aliás, Jair disse que repassou R$ 2 milhões ao filho se manter enquanto estivesse por lá. Ou seja, foi responsável por bancar uma conspiração.

Agora, Trump usa Bolsonaro para aumentar tarifas aos nossos produtos, ou seja, criar problemas para a nossa economia.

Caso saiba comunicar isso de forma clara à população, o governo Lula pode colar em Jair a pecha de traidor, gerar uma identidade reativa e criar caldo de insatisfação junto aos patriotas de verdade – que não gostam de outro país dizendo o que o Brasil deve ou não deve fazer, muito menos de quem ataca postos de trabalho por aqui.

Um exemplo disso aconteceu no Canadá, quando Trump começou a defender que ele se tornasse o 51º estado norte-americano. Os conservadores, que estavam liderando as pesquisas, desabaram, e o povo manteve os liberais no poder. Sim, o norte-americano está se consolidando como um excelente anticabo eleitoral em democracias.

A prioridade do governo dos EUA são seus próprios interesses. Como as narrativas entregues pela família Bolsonaro servem a esses interesses, fomentando protecionismo e privilégios de empresas norte-americanas, por exemplo, elas estão sendo usadas.

O que reforça que o Brasil pode perder receitas e empregos devido a um grupo de brasileiros que não aceitou a derrota nas eleições e tentou um golpe de Estado. Mas se os desdobramentos da carta de Trump forem muito fortes, os EUA podem dar um empurrãozinho eleitoral a Lula, que deve ser o principal crítico ao bolsonarismo e às próprias políticas de Trump no pleito de 2026.

Em tempo: Há político que meteu o boné do Trump que terá muito o que se justificar para seus próprios eleitores.

Fonte


Publicado

em

por

Tags:

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *