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Trump anunciou uma sobretaxa de 50% para os produtos exportados pelo Brasil, o que afeta principalmente setores industriais que tem nos Estados Unidos seu principal mercado para produtos de alta tecnologia.
De janeiro a junho deste ano, o Brasil exportou US$ 3,36 bilhões para os EUA, uma alta de 2,37%. Os principais produtos foram aço, petróleo e aeronaves.
Segundo especialistas, vai ser complicado para a indústria brasileira desviar todos os produtos para outros mercados, enquanto os americanos buscarão novos fornecedores.
Os especialistas avaliam também que Trump não parece preocupado com a eficiência econômica e sua motivação é política.
Intervenção nas eleições
Na carta enviada a Lula em que comunica a adoção da sobretaxa, o presidente americano deixa claro que sua principal motivação é a defesa de Jair Bolsonaro.
Ele afirma que a maneira como o ex-presidente vem sendo “tratado” é uma “desgraça” e que a “caça às bruxas” deve parar “imediatamente”.
Bolsonaro está sendo julgado no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.
O teor da carta enviada por Trump é considerado por especialistas e diplomatas como “intimidatório” e “intervencionista”.
O objetivo, avaliam, é tentar influenciar nas eleições de 2026 para favorecer a direita.
Trump utilizou a mesma estratégia com Canadá, Austrália e Alemanha. “É natural que tente o mesmo no Brasil”, afirmou uma fonte.
Nos três casos, o efeito foi o contrário. No Canadá e na Austrália, as ameaças de Trump pesaram contra o candidato da direita e levaram a esquerda a vencer.
Na Alemanha, a extrema-direita ficou isolada, enquanto a direita tradicional teve mais votos e fez uma coalizão com a esquerda para governar.
Sinuca
A situação, no entanto, deixou o governo Lula numa “sinuca”.
“O governo não pode cair na armadilha do Trump”, diz um especialista ouvido pela coluna.
“Se não fizer nada, será visto como fraco. Se fizer, terá que retaliar e vai destruir ainda mais o comércio e prejudicar o próprio Brasil”, afirmou outro.
Conforme apurou a coluna, ainda não há decisão tomada no Planalto, com divergências entre os ministros sobre a “reciprocidade”, e caberá ao próprio Lula arbitrar.
Alguns especialistas criticam Lula por não ter tentado nenhum tipo de aproximação com Trump e deixado “o caminho livre” para o lobby da família Bolsonaro. O deputado federal Eduardo Bolsonaro vem atuando nos EUA a favor do pai.
“Lula deveria ter negociado com Trump diretamente desde o início. É um dos únicos chefes de Estado do G20 que decidiu não ter relação com Trump. Fica complicado com um presidente americano tão personalista”, diz uma fonte do setor privado.

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