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Trump prometeu elevar em 50% as sobretaxas aplicadas contra produtos brasileiros a partir de primeiro de agosto. A avaliação de analistas internacionais é que o percentual é tão alto que praticamente inviabiliza as trocas comerciais.
Não faria diferença, portanto, novos aumentos de tarifas.
Na carta enviada a Lula – e devolvida pelo governo brasileiro – Trump diz que, se o Brasil retaliar, terá novas sobretaxas. Fonte do governo brasileiro informou à coluna que a postura do governo Lula será a mesma.
A expectativa, no entanto, é que ainda exista espaço para a negociação até agosto.
PRESSÃO POR ACORDO
O setor privado vai pressionar o governo Lula para tentar um acordo geral ou para fechar acordos bilaterais para os produtos mais relevantes da pauta de exportação como aço, petróleo e aeronaves.
Aprovada pelo Congresso Nacional, a “Lei da Reciprocidade” prevê a suspensão de concessões comerciais pelo Poder Executivo desde que em coordenação com o setor privado.
A legislação diz ainda que é preciso realizar “consultas diplomáticas com vistas a mitigar ou anular os efeitos das medidas e contramedidas”.
O interesse do governo Lula também é pela via da negociação e há divisões entre os diferentes ministérios. Mas há limites.
Na reunião no Palácio do Planalto na noite desta quinta-feira (10), o presidente foi quem decidiu adotar a “Lei de Reciprocidade”.
Questionado se a retaliação não poderia ser um “tiro no pé”, um auxiliar do presidente Lula respondeu:
– “Tiro no pé é a gente se submeter a devaneios do governo americano. É querer interferirem na nossa soberania, na legislação que regula as plataformas digitais”.
DIFICULDADES COMERCIAIS
O Brasil vai enfrentar mais dificuldades que a China na queda de braço com os Estados Unidos.
A China tem mais poder de barganha porque tem uma corrente de comércio muito maior com os americanos.
As sobretaxas contra os produtos chineses poderiam provocar uma inflação alta para os consumidores americanos, enquanto o Brasil pode ser substituído por outros fornecedores sem tanto prejuízo.
PRESENTE POLÍTICO
Na política, a avaliação de líderes governistas e até da oposição é que o governo Lula ganhou um “presente” de Trump.
Ao adotar a sobretaxa, o mandatário americano culpou o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, o que ajuda a mobilizar a população em torno do discurso a favor da soberania e contra o intervencionismo.
Se a eleição fosse hoje, renderia pontos extras para Lula. No entanto, se a sobretaxa for efetivamente adotada e gerar danos à economia brasileira, pode prejudicar o governo.

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