PT volta a usar IA em vídeo com nova versão de ‘nós contra eles’ para explicar alta de imposto
Produção do PT usa inteligência artificial com personagens fictícios para justificar que só mais ricos pagarão mais imposto. Crédito: Reprodução
BRASÍLIA – O PT lançou mais um vídeo nas redes sociais para explicar a proposta do governo que aumenta o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), desta vez usando o argumento de que o “nós contra eles” não significa apenas “ricos contra pobres” porque a justiça tributária também atinge a classe média. O governo Lula e o partido avaliam que o discurso ganhou força na esteira do tarifaço de 50% imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Mídias digitais do PT e de aliados do governo exibem agora o slogan “Lula quer taxar os super ricos – Bolsonaro quer taxar o Brasil”. A primeira frase está escrita em cima de uma bandeira brasileira estilizada, enquanto a segunda entra sobre um fundo preto.
Além disso, o novo vídeo da campanha do PT mostra uma família de classe média conversando em torno de uma mesa, na hora da refeição, enquanto assiste a um telejornal que fala sobre a divisão do País.
“Não é possível. Esse pessoal insiste em dividir o País e agora querem aumentar nossos impostos”, diz um homem diante do prato de macarrão.
A mulher responde que o País sempre foi dividido porque 99% dos brasileiros pagam a conta enquanto 1% aproveita os privilégios. “É o pessoal da cobertura”, comenta ela, apontando para cima.
Feito com Inteligência Artificial (IA), o vídeo mostra, então, um homem tomando sol na cobertura de um apartamento, de frente para o mar, enquanto aprecia um drink.
A campanha do PT sobre a taxação BBB (Bilionários, Bancos e Bets) faz parte da estratégia do governo para tentar ganhar o apoio da sociedade ao projeto de lei que aumenta alíquotas do IOF. O Congresso derrubou a medida e o Executivo recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro do STF Alexandre de Moraes marcou uma audiência de conciliação entre as partes para a próxima terça-feira, 15.
Até uma empregada da família de classe média, vestida a caráter, aparece no filme do PT. Ao falar sobre o “andar de cima”, a dona da casa – que também carrega um saco com a inscrição “Imposto” – diz para o marido: “Eles que são muito ricos podem contribuir mais, assim como fazemos eu, você e a Maria.”
O homem rebate ao observar que eles não são pobres. “Vai sobrar é para a gente”, avalia. “Ô amor, até você? Pobre a gente não é, mas também não somos bilionários. Pra gente vai mudar é nada”, observa a mulher.
Na TV, a apresentadora entra em cena para informar que a proposta do governo Lula tem o objetivo de isentar do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil e “cobrar menos” dos que recebem até R$ 7 mil. “E, para manter as contas equilibradas, vai taxar quem sempre pagou pouco ou quase nada: os super ricos”, arremata a empregada da família.
Como mostrou o Estadão, a segunda etapa da campanha foi feita a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para traduzir o “nós contra eles”. Na tentativa de conquistar a classe média, a ideia é mostrar que apenas os BBBs são privililegiados e precisam pagar mais impostos por uma questão de justiça tributária. Nessa toada, o discurso do governo e do PT foi unificado em torno do mote “99% contra 1%.”

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