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Na entrevista de agora, ele decidiu explicar por que considera que é melhor atender às vontades de Donal Trump nestes termos:
“Como é que sai dessa enrascada agora? A gente vai continuar com o nosso orgulho, né? ‘Somos brasileiros’? Todos nós temos orgulho de ser brasileiros, mas como é que resolve essa situação? Se você olhar para a Segunda Guerra Mundial, o que os Estados Unidos fez (sic) com o Japão? Lança uma bomba atômica em Hiroshima para demonstrar força. Qual foi a reação do Japão naquela época? Falou: ‘Olha, nós aqui somos patriotas; isso é uma interferência do Estados Unidos aqui no nosso país; nós aqui vamos resistir; fora ianques’. Qual foi a consequência três dias depois? Uma segunda bomba atômica em Nagasaki para, aí, depois, sim, haver, no dia 16 de agosto de 1945, portanto duas semanas depois da primeira bomba, haver uma rendição formal por parte do Japão. Então, essa situação tem que ser encarada como uma negociação de guerra, sim, onde nós não estamos em condições normais; nós não estamos em condições de exigir nada por parte do governo Trump; ele vai fazer o que ele quiser, independente da nossa vontade. Cabe a nós termos a responsabilidade de evitar que caiam duas bombas atômicas aqui no Brasil para, depois, nós anunciarmos que vamos fazer anistia; para depois nós anunciarmos… Eu acho que é uma segunda coisa que ele vai querer também colocar na mesa de negociação porque é o que está na carta dele, que é a que a questão da liberdade de expressão nas redes sociais”.
O anúncio informal da rendição se deu no dia 15 de agosto de 1945 — nove dias, e não duas semanas, depois da primeira bomba, lançada no dia 6. A formalização só ocorreu no dia 2 de setembro. Mas isso é o de menos. O problema está na estupidez do raciocínio, que ele expressa com ar sorridente e autocongratulatório, como se estivesse tendo uma sacada genial. Nem comento a besteira de inferir que o Japão não se rendeu imediatamente após a primeira bomba por uma veleidade da soberania… Santo Deus!
Observem que este senhor vê o Brasil como um país em guerra e uma potência bélica agressora, que vai ser contida, caso não se renda, por um poder destruidor. E, ao se referir os brasileiros, o sujeito larga um “nós”, como se estivéssemos todos, ele inclusive, do mesmo lado, sujeitos aos ataques de Trump. Procura se despir, assim, da condição de interessado no resultado da agressão, embora esteja, como resta evidente, do lado do agressor. Flávio diz o que entende por soberania.
BOLSONARO
Flávio demonstra ser o pai escarrado. Este se manifestou ontem à noite, depois de se esconder na Bíblia. Reproduzo em vermelho o que falou. Comento em preto.
“Recebi com senso de responsabilidade a notícia da carta enviada pelo presidente Donald J. Trump ao governo brasileiro, comunicando e justificando o aumento tarifário de produtos brasileiros. Deixo claro meu respeito e admiração pelo Governo dos Estados Unidos.”
Se preciso, releiam. Trump, nas suas palavras, “comunicou e justificou” o tarifaço. E o “Mito” faz o quê? Alô, agro! Alô, indústria! Alô, setor financeiro! O grande líder é um serviçal de quem agride o país.
“A medida é resultado direto do afastamento do Brasil dos seus compromissos históricos com a liberdade, o Estado de Direito e os valores que sempre sustentaram nossa relação com o mundo livre. Isso jamais teria acontecido sob o meu governo.”
Qual afastamento? De que compromisso histórico o atual governo brasileiro declinou? Notem que ele segue justificando as ações de Trump.
“Essa caça às bruxas — termo usado pelo próprio presidente Trump — não é apenas contra mim. É contra milhões de brasileiros que lutam por liberdade e se recusam a viver sob a sombra do autoritarismo. O que está em jogo é a liberdade de expressão, de imprensa, de consciência e de participação política. Conheço a firmeza e a coragem de Donald Trump na defesa desses princípios.”
O golpista se colocando como defensor da liberdade de expressão e como um militante da luta contra o autoritarismo é a pura expressão da cara de pau.
“O Brasil caminha rapidamente para o isolamento e a vergonha internacional. A escalada de abusos, censura e perseguição política precisam parar. O alerta foi dado, e não há mais espaço para omissões.”
Fascistoides mundo afora passaram a acusar “censura” e “perseguição” porque conhecem a eficácia das redes sociais na propagação do ódio engajado. E notem ali o tom da ameaça, o mesmo de Flávio: “Cuidado com as bombas atômicas de Trump”.
“Peço aos Poderes que ajam com urgência apresentando medidas para resgatar a normalidade institucional. Ainda é possível salvar o Brasil.
Jair Messias Bolsonaro”
Nessa formulação, um governante estrangeiro passou à condição de quem, impondo punições a todos os brasileiros, buscaria a nossa “normalidade institucional”.
ENTENDERAM?
Morando nos EUA, Eduardo também houve por bem dar um ultimato ao Congresso e ao Supremo. Para não esquecer: Tarcísio de Freitas, que vinha sendo tratado como “pré-presidente” até outro dia, abraçou a causa num esforço de, demonstrando inteira submissão a Bolsonaro, ser ungido como o seu candidato à Presidência.
O governador de São Paulo, que será o Estado mais prejudicado se as tarifas entrarem mesmo em vigor, ainda encontrou tempo para defender o indulto a Bolsonaro e para sugerir que tem uma fórmula mágica para fazer com que a promoção da impunidade seja aceita pelo Supremo sem traumas. Vê, assim, o país reduzido a uma colônia dos EUA como o caminho da conciliação.
Eis os patriotas que prometem levar o país a um novo estágio de desenvolvimento.

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