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Bolsonaristas apontaram diferentes culpados pela decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifa de 50% aos produtos brasileiros, anunciada na quarta-feira.
O que aconteceu
Os filhos de Jair Bolsonaro (PL) culpam o ministro do STF Alexandre de Moraes pelo tarifaço de Trump. Enquanto isso, aliados do ex-presidente responsabilizaram o governo Lula (PT).
Parlamentares bolsonaristas e o perfil oficial do Partido Liberal espalharam as frases “a culpa é de Lula” e “tarifa do Lula” nas redes sociais. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), fez 11 postagens sobre o tema desde quarta —ele citou Lula em todas, mas não mencionou o STF.
Outros membros da “tropa de choque” de Bolsonaro seguiram a mesma estratégia. É o caso dos deputados Gustavo Gayer (PL-GO), Marco Feliciano (PL-SP), Bia Kicis (PL-DF), Carlos Jordy (PL-RJ), Nikolas Ferreira (PL-MG) e do pastor Silas Malafaia, que também focaram no presidente.
Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tem se referido ao anúncio de Trump como “tarifa-Moraes” e atribui a culpa ao ministro. “Lula contribuiu, mas ele não é o fator determinante nessa sanção tarifária. Moraes foi o causador e o motivador de quase tudo aquilo que Trump colocou na carta dele”, disse ontem, em entrevista à Revista Oeste.
O deputado cobra “troca” para tentar ajudar o pai, que é réu por tentativa de golpe. Eduardo afirma que, para que os Estados Unidos abram a mesa de diálogo, será necessária uma “sinalização” do Congresso a favor da anistia ou um recuo do STF. “A gente pode começar fazendo uma anistia ampla, geral e irrestrita. Tá aí uma oportunidade para começar esse diálogo” disse.
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também mira STF e cobra anistia. Em entrevista à CNN, o senador defendeu que o Brasil aceite as condições impostas por Trump e que o STF reduza supostas pressões sobre o Congresso que impediriam a aprovação de uma anistia em favor do grupo de Bolsonaro.
Bolsonaro só se manifestou 24 horas após o anúncio. Em nota no X (antigo Twitter), ele reiterou seu “respeito e admiração” pelo governo americano e atribuiu as tarifas ao “afastamento do Brasil dos seus compromissos históricos com a liberdade, o Estado de Direito e os valores que sempre sustentaram nossa relação com o mundo livre”.
Governadores também miram Lula
Governadores de direita divergem dos filhos de Bolsonaro. Cotados como candidatos à Presidência em 2026, Tarcísio de Freitas (Republicanos), Ronaldo Caiado (União Brasil) e Romeu Zema (Novo) culparam Lula e criticaram a diplomacia do governo brasileiro.
“Lula colocou sua ideologia acima da economia, e esse é o resultado”, disse Tarcísio. Em nota, o governador de São Paulo afirmou que o atual presidente agrediu “o maior investidor direto no Brasil” ao reclamar das tarifas de Trump em comunicado conjunto do Brics no começo da semana.
Caiado defende comissão de parlamentares para “diálogo com o governo americano”. Em comunicado, o governador de Goiás disse que Lula declarou “uma guerra contra o Congresso Nacional” e atacou Trump, presidente de “país que sempre foi nosso aliado”.
Zema culpou Lula e STF, mas depois também criticou Trump. Na quarta (9), o governador de Minas disse que o atual presidente ignorou “a boa diplomacia” e promoveu “perseguições”. Já ontem, em nova publicação nas redes, chamou a decisão de Trump de “errada e injusta”.
Ex-ministra de Bolsonaro, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) adotou posição parecida. No Instagram, ela reproduziu o vídeo de uma entrevista na qual afirma que “a forma como a política externa brasileira tem sido conduzida resultou nisso” e que “o anúncio do Trump é ruim”.
O que diz o governo
Lula afirmou que Bolsonaro deveria “assumir a responsabilidade”. “Foi o filho dele [Eduardo Bolsonaro] que foi lá fazer a cabeça do Trump”, disse o presidente ontem, em entrevista à Record.
Como o UOL mostrou, membros do governo dizem que o anúncio pode acabar virando um “tiro no pé” dos próprios bolsonaristas. A avaliação é que o aumento “desproporcional” das tarifas trouxe reações mais favoráveis ao governo do que contra.
Lula tem focado no discurso da soberania. Em nota oficial divulgada logo após a carta de Trump, ele disse que o Brasil “é um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém”. Também disse que vai adotar a lei de reciprocidade.

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