Aos poucos, Tarcísio tira a máscara ao defender Bolsonaro contra o Supremo

Tarcísio mudou. Nem como testemunha de defesa de Bolsonaro foi tão desprendido como passou a ser agora, sem máscara.

Falso moderado

Tarcísio posava como moderado, lembrando aos jornalistas o reconhecido trabalho técnico desenvolvido no governo Dilma Rousseff.

Por vezes, a máscara escorregava para o pescoço. No particular, tivemos a sua resistência em determinar o uso de câmaras nos uniformes dos policiais da Polícia Militar, à época, cada vez mais violenta e deseducada à legalidade democrática.

Tarcísio invocou a sua experiência militar. Usou lembranças da sua atuação militar no Haiti, de enfrentamento, sangrenta. Ações militarizadas que, sob o manto da ONU, colocaram sempre em risco os moradores pobres das favelas.

Para se enaltecer, usa uma experiência catastrófica que ainda se mantém. Com efeito, grupos criminosos controlam 90% da capital do Haiti, segundo relatório apresentado neste mês ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, assinado pelo subsecretário-geral da ONU, Miroslav Jenca.

A missão da ONU, agora liderada pelo Quênia, mantém a linha das anteriores, que tiveram participação do Brasil e de Tarcísio, com fuzil e sem câmara na farda. Como ressaltou Jenca, a missão foi ” incapaz de avançar na restauração da autoridade do Estado”.

Tarcísio entendia, citando a desastrada experiência da ONU que contou com aua participação, que a câmera na farda dos policiais militares de São Paulo inibiria a atuação, em situações de ações de repressão e contraste à criminalidade organizada.

Acabou voltando atrás, pois as matanças continuavam, a insegurança crescia e os cidadãos paulistas aprovavam as câmeras. Mesmo assim, determinou que o acionamento do equipamento seja feito pelo próprio policial, que, por evidente, não filmaria o abuso.

Como foi eleito governador graças exclusivamente a Jair Bolsonaro, sempre se apresentou como reconhecido e fidelíssimo.

Por isso, teve de engolir, goela abaixo, a exigência de Bolsonaro de colocar na Secretaria da Segurança Pública o oficial da polícia militar Guilherme Derrite, o “Capitão Derrite”, conhecido por suas passagens e mortes quando no comando da violenta Rota.

Querendo ou não, com Derrite, Tarcísio aportou a linha política de Bolsonaro, de violência e de armar a população.

Em entrevista recente, o secretário declarou que a política de segurança pública de El Salvador é a ideal, com resultados extraordinários: de 38 casos de homicídio por 100 mil habitantes em 2019 para 1,9 em 2024.

A polícia de El Salvador é a mais violenta do planeta. Tem “licença para matar”, e as garantias previstas na Constituição não são observadas.

Por lá, não existe o devido processo legal e prevalece a impunidade aos matadores fardados. Respeito a direitos humanos não fazem parte da cartilha política do presidente Nayib Bukele, considerado internacionalmente como ditador.

Em qualquer governo civilizado, comprometido com os direitos da pessoa humana, a entrevista teria derrubado o secretário. Mas Tarcísio o segurou e não poupou elogios ao trabalho realizado na sua gestão..

Para Bolsonaro, que já admite em privado que não será candidato à presidência em 2026, pois poderá ser condenado e continuará inelegível, Derrite seria o seu indicado à sucessão estadual de Tarcísio. Este já pinta como candidato, mas um membro da família Bolsonaro teria de entrar na chapa, com candidatura à vice-presidência: Michelle ou Eduardo Bolsonaro são os cogitados.

Mosca azul e suprema culpa

Com a guinada política decorrente do aparente conformismo de Bolsonaro, Tarcísio tem feito de tudo para agradar Bolsonaro desde a última manifestação bolsonarista, com um saco de gatos pingados na avenida Paulista.

Até do bom relacionamento mantido com o STF (Supremo Tribunal Federal) o governado de São Paulo abdicou —depois da carta de Trump a Lula comunicando aumento da taxação dos produtos brasileiros exportados para os EUA, Tarcísio disparou contra ministros do STF, que não teve a coragem de nominar. Os desvios constitucionais de alguns ministros representaram concausa justificadora do tarifaço de Trump.

A vingança de Trump tem justificativa, para Tarcísio. Por isso, ele admite, a partir de agosto, prejuízos econômicos ao estado de São Paulo, mas não por culpa de Bolsonaro. Aliás, o governador não incentivou Bolsonaro a pedir que Trump não prejudique o Brasil.

Não se descarta a possibilidade de Bolsonaro fazer isso, com Trump retratando-se. Ele e Tarcísio se beneficiariam politicamente. Em outras palavras, tudo pode ter sido um balão de ensaio de Trump, pois, economicamente, como frisaram especialistas em economia, Trump deu um tiro no pé, visto que a balança comercial sempre foi favorável aos EUA.

Atenção. De fato, a máscara de Tarcísio caiu, e ele já mostra a verdadeira face.

Pelos indicativos, é certo que ele já está pronto para colocar uma nova máscara, aquela de estilo Salvador Dalí, usada em manifestações na Europa e na série “Casa de Papel”. Uma máscara simbolizando resistência.

No caso, a máscara de Tarcísio seria de luta pelo fim da injustiça a Bolsonaro e de resistência a Lula, o provável e, no momento, fraco candidato que deve enfrentar o governador.

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