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Na carta ao governo brasileiro em que anunciou as novas tarifas ao Brasil, que deverão entrar em vigor em 1º de agosto, Trump listou o que chamou de “caça às bruxas” ao ex-presidente brasileiro como a primeira de suas motivações. Segundo Trump, o julgamento é uma “vergonha internacional” e deveria ser interrompido “imediatamente”.
O governo de Lula já descartou publicamente qualquer possibilidade de que as instituições brasileiras sejam pressionadas a mudar o curso de suas ações pelas ações de Washington. “O processo judicial contra aqueles que planejaram o golpe de estado é de competência apenas da Justiça Brasileira e, portanto, não está sujeito a nenhum tipo de ingerência ou ameaça que fira a independência das instituições nacionais”, afirmou Lula em nota na noite desta quarta.
O entendimento do governo brasileiro é que inexiste qualquer espaço para negociar tarifas técnica e economicamente. O processo de negociação em nível técnico estava em curso e foi interrompido pela carta de Trump.
Expoente do movimento MAGA (“Make America Great Again”), Steve Bannon disse à coluna ontem que se o Brasil extinguir os processos judiciais pelos quais Bolsonaro é réu, o governo de Donald Trump retiraria as tarifas de 50% sobre os produtos brasileiros, anunciadas em uma carta da Casa Branca ontem.
“Derrubem o caso, derrubamos as tarifas”, disse Bannon, ao ser questionado pela coluna se via alguma forma de o governo brasileiro negociar. Ele é ex-estrategista-chefe da Casa Branca, mas não possui cargo no segundo mandato de Trump. No entanto, ele segue sendo figura influente na órbita trumpista.
Há seis meses, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro e o comentarista político Paulo Figueiredo fazem campanha intensa para convencer Washington de que o ex-presidente e seus apoiadores são vítimas de perseguição política no Brasil, tese que a Justiça brasileira rechaça. Eles conversaram com dezenas de congressistas, e integrantes da gestão Trump na Casa Branca, Departamento de Estado, Departamento de Justiça, Tesouro e Departamento de Comércio.
Os bolsonaristas pediam gestos públicos de Trump e ações contra o Brasil, o que começou a acontecer nesta semana, primeiro com um post em desagravo à Bolsonaro na segunda, pela Truth Social, e depois com o anúncio das tarifas na quarta.

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